Com 54,9 milhões de passageiros transportados entre janeiro e maio, aviação brasileira registra o melhor resultado da série histórica; voos internacionais avançam em ritmo mais forte que o mercado doméstico
A movimentação nos aeroportos brasileiros seguiu em alta no início de 2026 e atingiu um novo recorde para o período. De acordo com dados divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos, 54,9 milhões de passageiros viajaram em voos domésticos e internacionais no Brasil entre janeiro e maio, número que representa um crescimento de 6,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
O resultado é o melhor já registrado para os cinco primeiros meses do ano desde o início da série histórica da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), iniciada em 2000. O avanço foi observado tanto no mercado doméstico quanto no internacional, embora as viagens ao exterior tenham crescido em ritmo mais forte.
Maio também teve melhor resultado da série para o mês
O desempenho recorde da aviação brasileira não ficou restrito ao acumulado do ano. Considerando apenas o mês de maio, os aeroportos brasileiros movimentaram 10,5 milhões de passageiros, alta de 2,5% na comparação com maio de 2025. Também nesse caso, trata-se do melhor resultado já registrado para o mês na série da Anac.
Do total transportado em maio, 8,3 milhões de passageiros viajaram em voos domésticos, o que representa crescimento de 2% em relação ao mesmo mês do ano passado. Já o mercado internacional somou 2,2 milhões de passageiros, com alta de 4,7% na comparação anual.
O que os números mostram é que o crescimento da aviação brasileira segue apoiado em duas frentes ao mesmo tempo: o mercado interno continua respondendo pela maior parte do fluxo, mas o internacional vem avançando em velocidade maior e ganhando peso na movimentação total dos aeroportos.
Mercado doméstico segue dominante, mas internacional cresce mais rápido
Apesar do destaque para os voos internacionais, o mercado doméstico continua sendo, de longe, o principal responsável pelo volume de passageiros transportados no país.
Entre janeiro e maio, os voos dentro do Brasil movimentaram 42 milhões de passageiros, alta de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025. Já as operações internacionais somaram 12,8 milhões de passageiros, com crescimento de 10,3%.
Esse descompasso é um dos pontos mais interessantes do levantamento. Enquanto o doméstico continua crescendo de forma consistente, o internacional avança em ritmo quase duas vezes maior. Isso ajuda a explicar por que tantas companhias vêm reforçando suas malhas para o exterior, abrindo novas rotas ou ampliando frequências em mercados com demanda mais aquecida.
Nos últimos meses, por exemplo, o noticiário do setor tem sido marcado por anúncios de reforço em operações entre o Brasil e destinos na Europa e na América do Sul, além da ampliação de ligações internacionais a partir de capitais fora do eixo Rio-São Paulo.
Guarulhos lidera com folga
Como já era esperado, o Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos foi o terminal com maior movimentação no acumulado dos cinco primeiros meses do ano. Ao todo, 9,44 milhões de passageiros passaram pelo aeroporto entre janeiro e maio.
Na sequência aparecem:
- Congonhas (SP): 4,95 milhões
- Galeão (RJ): 4,04 milhões
- Brasília (DF): 3,39 milhões
- Confins (MG): 2,55 milhões
A liderança de Guarulhos não surpreende, especialmente porque o aeroporto concentra uma parcela importante da malha internacional do país e segue como principal porta de entrada e saída do Brasil em voos para o exterior. Já Congonhas mantém sua relevância puxado sobretudo pela ponte aérea e pela forte malha doméstica, enquanto Galeão e Brasília seguem como peças centrais tanto para conexões quanto para operações internacionais e regionais.
Sudeste concentra quase metade do movimento no país
Na divisão regional, o Sudeste segue como o grande centro da aviação brasileira. Apenas no mês de maio, a região concentrou 5,23 milhões de passageiros, quase metade de toda a movimentação registrada no país no período.
Na sequência aparecem:
- Nordeste: 1,58 milhão
- Sul: 1,14 milhão
- Centro-Oeste: 1,04 milhão
- Norte: 467,5 mil
No acumulado de janeiro a maio, o desenho se repete:
- Sudeste: 26,26 milhões
- Nordeste: 9,02 milhões
- Sul: 5,88 milhões
- Centro-Oeste: 5,1 milhões
- Norte: 2,3 milhões
Esses números ajudam a mostrar duas coisas ao mesmo tempo. A primeira é a força estrutural do Sudeste, que continua concentrando os maiores aeroportos do país e boa parte da demanda corporativa e de lazer. A segunda é que o crescimento não ficou restrito à região: houve expansão em todas as cinco regiões brasileiras, o que indica um mercado mais aquecido de forma relativamente disseminada.
O que os números mostram sobre o momento da aviação brasileira
Embora o dado principal seja o recorde de passageiros, o levantamento também ajuda a enxergar alguns movimentos importantes da malha aérea brasileira em 2026.
O primeiro é a manutenção de uma base doméstica robusta. Mesmo com custos operacionais ainda elevados para as companhias, o mercado interno continua crescendo e sustentando a maior parte do volume transportado no país.
O segundo é a aceleração das viagens internacionais. O avanço de 10,3% no acumulado do ano sugere um ambiente de expansão mais forte nas rotas ao exterior, seja por aumento de oferta, seja por maior procura em mercados específicos. Isso combina com o que temos visto recentemente: reforço de voos para Europa, América do Sul, Caribe e outros destinos de lazer, além da ampliação de frequências em hubs importantes.
O terceiro ponto é a consolidação dos grandes aeroportos como motores desse crescimento. Guarulhos, Congonhas, Galeão, Brasília e Confins seguem puxando boa parte da movimentação, mas ao mesmo tempo o Nordeste também vem ganhando espaço em anúncios de novas rotas e incremento de frequências, especialmente em operações internacionais sazonais.
Recorde vem em meio a uma fase de expansão da oferta
O resultado divulgado pelo governo aparece em um momento em que várias companhias vêm recalibrando suas malhas, redistribuindo aeronaves e reforçando mercados considerados mais promissores. Esse tipo de ajuste é relativamente comum na aviação, sobretudo em operações internacionais, que costumam variar de acordo com a temporada, o perfil da demanda e o desempenho de cada rota ao longo do ano.
Nos últimos dias, por exemplo, a LATAM anunciou mais voos internacionais no Nordeste, com aumento das frequências entre Fortaleza e Lisboa e novas rotas sazonais para Buenos Aires a partir de Natal e Maceió. Ao mesmo tempo, a companhia informou que deixará de comercializar os voos Fortaleza–Miami e Fortaleza–Santiago para viagens a partir de outubro.
Em parte, movimentos como esse fazem parte da lógica normal do setor, especialmente na transição para a alta temporada de verão, quando as empresas costumam rever a distribuição de capacidade e concentrar aeronaves em mercados com maior procura. No caso da LATAM, porém, o ajuste também sinaliza uma mudança de foco dentro da operação internacional no Nordeste, com reforço em rotas para Lisboa e Argentina enquanto duas ligações já existentes deixam de ser vendidas.
O resultado divulgado pelo governo aparece em um momento em que várias companhias vêm mexendo em suas malhas, redistribuindo capacidade e reforçando mercados considerados mais promissores.
Vale acompanhar se o ritmo se mantém no segundo semestre
Ainda é cedo para dizer qual será o fechamento de 2026, mas o recorde neste alcançado começo do ano coloca a aviação brasileira em um patamar bastante forte. Se o ritmo dos cinco primeiros meses for mantido, o setor deve encerrar o ano com números bastante favoráveis tanto no doméstico quanto no internacional.
Também vale observar como esse crescimento vai se distribuir ao longo do segundo semestre, especialmente diante de alguns fatores que podem influenciar a demanda e a oferta, como o comportamento das tarifas, a ampliação de rotas internacionais, o câmbio e a própria capacidade das companhias de sustentar crescimento em um ambiente de custos ainda pressionado.
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