Os trens turísticos no Brasil avançam com crescimento consistente, mas enfrentam limitações de infraestrutura e incertezas regulatórias. Ainda assim, o setor já movimenta milhões de passageiros e gera impacto relevante na economia local.
O avanço dos trens turísticos no Brasil chama atenção por combinar crescimento da demanda com um cenário de incerteza para novos projetos. Segundo Adonai Filho, presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Trens Turísticos e Culturais, o setor já conta com 22 operações ativas e registra expansão média de cerca de 15% ao ano. As iniciativas incluem projetos públicos, privados e do terceiro setor, com maior concentração nas regiões Sul e Sudeste.
Apesar desse avanço, o setor não cresce sem limitações. Parte das concessões ferroviárias voltadas ao transporte de carga está em processo de renovação, com negociações previstas até 2027. Esse cenário gera dúvidas sobre quais trechos continuarão disponíveis, o que acaba adiando a criação de novas rotas.
Na prática, o turismo ferroviário cresce com base na estrutura existente, mas encontra dificuldade para dar um salto maior no curto prazo. Como depende diretamente da malha ferroviária, a previsibilidade regulatória se torna essencial para viabilizar novos projetos.
Por que os trens turísticos atraem tanta gente
Mesmo com restrições, os números mostram que há demanda consistente. Em 2023, esse segmento transportou cerca de 4,5 milhões de passageiros, consolidando esse tipo de turismo no Brasil experiências como uma alternativa relevante no cenário nacional.
O apelo dos trens turísticos no Brasil vai além do deslocamento. Um passeio de trem turístico combina paisagens, memória afetiva e valor cultural. Muitos roteiros passam por cidades históricas e regiões gastronômicas, ampliando o interesse para diferentes perfis de viajantes. Existe também um fator emocional forte, ligado à nostalgia e às antigas viagens ferroviárias.
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Outro ponto relevante é o papel do trem como indutor de viagens. No trajeto entre Curitiba e Morretes, por exemplo, uma pesquisa apontou que 85% dos turistas visitaram a cidade motivados pela experiência.
Impacto econômico vai além do bilhete
O impacto também aparece na economia local. Um estudo da ABOTTC em parceria com o Sebrae Nacional apontou que cada passageiro deixava, em média, R$ 600 nas cidades visitadas.
Isso mostra que o turismo ferroviário vai além do embarque. O visitante consome restaurantes, compra artesanato, utiliza transporte local e visita atrações. Esse movimento cria um ecossistema que beneficia pequenos negócios e prestadores de serviço nas regiões atendidas.
No caso do trem entre Curitiba e Morretes, cerca de 280 mil passageiros foram transportados no último ano. Com base no gasto médio, isso representa aproximadamente R$ 168 milhões movimentados na economia local.
O que limita o setor hoje
O principal gargalo para o crescimento dos trens turísticos no Brasil continua sendo a infraestrutura. A malha ferroviária atual é cerca de 50% menor do que na década de 1970. Ao longo dos anos, o foco no transporte de carga reduziu significativamente as opções para passageiros.
Com isso, muitos roteiros são curtos e operam em trechos remanescentes. O potencial existe, mas depende de condições mais favoráveis para crescer de forma consistente. Além disso, ainda há espaço para ampliar a divulgação do produto dentro do universo do turismo de experiência no Brasil, especialmente em campanhas e redes sociais.
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Um produto com espaço para crescer
Os trens turísticos no Brasil já deixaram de ser um nicho. Com milhões de passageiros por ano, forte impacto econômico e valor cultural relevante, o segmento mostra potencial de expansão.
Para o viajante, isso significa acesso a experiências mais contemplativas e conectadas à história dos destinos. Para o setor, representa uma oportunidade de diversificar a oferta turística nacional. O freio regulatório existe, mas o interesse do público indica que o modelo segue no caminho certo.
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