Os impactos da guerra no Oriente Médio continuam sendo sentidos pelo setor aéreo brasileiro. Desde o início do conflito, Azul, GOL e LATAM já desembolsaram R$ 3,8 bilhões acima do previsto com combustível de aviação, segundo levantamento da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). O aumento dos custos vem obrigando as empresas a revisar planos de expansão, reduzir frequências de voos e reavaliar parte de suas operações.
De acordo com a Abear, o avanço no preço do combustível de aviação tem provocado mudanças importantes no planejamento das companhias aéreas. Entre as medidas adotadas estão ajustes na malha aérea, revisão das metas de crescimento e redução da oferta em algumas rotas, estratégia que busca minimizar os impactos financeiros sem eliminar completamente determinados destinos.
Segundo a entidade, algumas iniciativas adotadas pelo governo federal ajudaram a reduzir parte da pressão sobre o setor. Entre elas estão a isenção de PIS/Cofins incidente sobre o querosene de aviação, o acesso a linhas de crédito e a prorrogação do pagamento das tarifas de navegação aérea devidas à Força Aérea Brasileira (FAB).
“Somente o valor gasto a mais em maio, cerca de R$ 1,6 bilhão, representa, por exemplo, o custo do arrendamento de 83 aviões de médio porte. Para se ter uma ideia, hoje nós temos em torno de 500 aviões voando no Brasil. O que pagamos a mais de combustível no mês passado já é mais da metade do que a gente gasta com o leasing da frota atual”, declarou Juliano Norman, presidente da Abear.
Embora o Brasil produza aproximadamente 80% do combustível de aviação consumido no mercado interno, a política de preços da Petrobras continua baseada em referências internacionais. Isso faz com que as oscilações provocadas pela guerra no Oriente Médio também sejam refletidas no mercado brasileiro, ainda que os reajustes ocorram de forma gradual.
Na América Latina, cerca de 65% do combustível utilizado é produzido na própria região, enquanto aproximadamente 2% das importações têm origem no Oriente Médio. O cenário é diferente na Europa, onde a dependência de fornecedores externos é significativamente maior.
Os efeitos já podem ser observados na operação das companhias aéreas. Segundo a Abear, o mercado deixou de operar, em média, 121 voos por dia durante o mês de junho. Em vez de cancelar rotas inteiras, as empresas passaram a reduzir frequências para adequar a oferta ao aumento dos custos operacionais.
“A gente vai ajustar a capacidade conforme a nova necessidade”, declarou John Rodgerson, CEO da Azul, durante reunião da IATA realizada no Rio de Janeiro.
A Latam também revisou suas expectativas para 2026. A companhia reduziu sua meta de expansão de 11% para 8% até o fim do ano. Já o Grupo Abra, controlador da Gol, informou que poderá promover cortes entre 7% e 9% na oferta de voos sem comprometer significativamente sua operação.
Preço das passagens aéreas registra aumento
Os reflexos do aumento do combustível de aviação também chegaram aos consumidores. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), as passagens aéreas registraram alta média de aproximadamente 25% nos meses de março e abril em comparação com o mesmo período de 2025.
O aumento das passagens aéreas acompanha a elevação dos custos enfrentados pelas empresas e reforça o impacto que o preço do combustível exerce sobre toda a cadeia do transporte aéreo. Além de pressionar os resultados financeiros das companhias aéreas, esse cenário pode influenciar a demanda por viagens e o ritmo de crescimento do setor ao longo dos próximos meses.
Enquanto persistirem as incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio, o comportamento do combustível de aviação continuará sendo um dos principais fatores monitorados pelas empresas. A evolução dos preços terá influência direta sobre a oferta de voos, os investimentos planejados pelas companhias e os valores cobrados nas passagens aéreas, afetando tanto o setor quanto os viajantes.
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