Após décadas de discussões sobre a localização e o modelo do novo aeroporto de Lisboa, o projeto do Aeroporto Luís de Camões entra em uma nova fase com a divulgação das primeiras imagens e do cronograma atualizado. Confira os detalhes.
Portugal está avançando no projeto do novo Aeroporto Luís de Camões, que substituirá o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. A concessionária ANA – Aeroportos de Portugal, pertencente ao grupo VINCI Airports, entregou ao governo português o relatório técnico de engenharia do projeto e revelou as primeiras imagens preliminares da futura infraestrutura.
O investimento estimado varia entre 7,9 e 8,9 bilhões de euros (a preços de 2024), tornando o empreendimento um dos maiores projetos de infraestrutura da história recente de Portugal.
Abertura está prevista para 2035
Segundo o cronograma apresentado pela ANA, as obras do Aeroporto Luís de Camões deverão começar em 2029, após a conclusão das etapas de licenciamento ambiental e aprovação do projeto executivo.
A construção deverá ser concluída entre 2033 e 2034, seguida pelos testes operacionais, certificações e transferência das operações aeroportuárias. A expectativa é que o novo aeroporto entre em funcionamento a partir de 2035, antecipando em cerca de dois anos a previsão inicial, que apontava para 2037.
Antes disso, ainda precisam ser concluídas etapas importantes, como a aprovação do Estudo de Impacte Ambiental, a definição do modelo financeiro da concessão e a entrega do projeto definitivo.
Aeroporto será construído em Alcochete

O futuro Aeroporto Luís de Camões será implantado no Campo de Tiro de Alcochete, na margem sul do Rio Tejo, entre os municípios de Benavente e Montijo.
A área destinada ao empreendimento terá aproximadamente 6.500 hectares, espaço suficiente para abrigar não apenas pistas e terminais, mas também uma ampla infraestrutura de apoio, incluindo sistemas de abastecimento de água, energia, combustíveis e telecomunicações.
A desocupação da área militar deverá ocorrer até 2029, permitindo o início das obras civis.
Capacidade para até 85 milhões de passageiros

Na inauguração, o Aeroporto Luís de Camões contará com:
- duas pistas de pouso e decolagem;
- 64 portas de embarque;
- 72 pontes de embarque;
- terminal de passageiros com aproximadamente 500 mil metros quadrados.
A capacidade inicial será de 56 milhões de passageiros por ano, praticamente o dobro da movimentação atual do Aeroporto Humberto Delgado. O projeto foi concebido para permitir futuras ampliações, podendo alcançar 85 milhões de passageiros anuais em fases posteriores.
Segundo a ANA, a infraestrutura foi planejada para acompanhar o crescimento da demanda aérea portuguesa nas próximas décadas.
Projeto aposta em sustentabilidade
O novo aeroporto foi concebido para operar com conceito Net Zero, buscando neutralizar suas emissões de carbono ao longo da operação.
Entre as soluções previstas estão sistemas de alta eficiência energética, tecnologias para otimização das operações aeroportuárias e recursos voltados para reduzir o impacto ambiental da infraestrutura.
A proposta também prevê uma experiência mais digital para os passageiros, com processos automatizados e integração entre diferentes modais de transporte.
Ligação ferroviária de alta velocidade
Um dos principais diferenciais do projeto do será a conectividade terrestre.
O Aeroporto Luís de Camões será conectado ao centro de Lisboa por uma ligação ferroviária de alta velocidade, utilizando a futura Terceira Travessia do Tejo. O trajeto deverá ser realizado em aproximadamente 20 minutos.
Também estão previstos:
- mais de 250 quilômetros de novas rodovias;
- cerca de 50 quilômetros de modernização da malha viária existente;
- expansão do Metro Sul do Tejo;
- novas ligações rodoviárias entre a região metropolitana de Lisboa e o aeroporto.
As obras pretendem facilitar o acesso tanto de passageiros quanto da logística aeroportuária.
Atual aeroporto continuará recebendo investimentos
Enquanto o novo aeroporto não entra em operação, a ANA continuará investindo na infraestrutura aeroportuária existente.
No Aeroporto Humberto Delgado estão previstas:
- ampliação do Terminal 1;
- expansão do Terminal 2;
- nova área de estacionamento para aeronaves;
- modernização dos controles de fronteira.
Além disso, os aeroportos do Porto, Faro, Açores e Madeira também passarão por obras de expansão e modernização.
Segundo o planejamento apresentado, o Aeroporto Humberto Delgado continuará operando normalmente até a transferência completa das operações para Alcochete.
Confira abaixo um vídeo divulgado pela ANA mostrando as melhorias previstas para o Aeroporto Humberto Delgado.
Governo e ANA ainda negociam a concessão
Apesar do avanço técnico do projeto, ainda há negociações entre o governo português e a ANA sobre o modelo de financiamento.
A concessionária propôs a extensão do contrato de concessão dos aeroportos portugueses até 2092 — atualmente válido até 2062 — além de um aumento das taxas aeroportuárias entre 2026 e 2030.
O governo português, porém, ainda não concordou com essas condições e as negociações seguem em andamento.
Atual aeroporto de Lisboa opera sob forte pressão
A divulgação do projeto acontece em um contexto de forte pressão sobre o Aeroporto Humberto Delgado.
Nos últimos anos, o crescimento do número de passageiros tem colocado a infraestrutura no limite da capacidade, contribuindo para atrasos, congestionamentos e problemas no controle de fronteiras. As longas filas registradas na imigração — que chegaram a nove horas em alguns períodos — e a recente classificação de Lisboa como o pior aeroporto da Europa no AirHelp Score 2026 reforçaram a necessidade de ampliar a capacidade aeroportuária da capital portuguesa.
Enquanto o novo Aeroporto Luís de Camões não fica pronto, o governo e a ANA seguem investindo na ampliação do terminal atual e no reforço das equipes de fronteira para tentar reduzir os impactos sobre os passageiros.
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