A Itália e outros países da Europa podem suspender temporariamente o EES durante os meses de verão para evitar filas ainda maiores nos aeroportos. O alerta veio da administração dos aeroportos de Roma e reacende a preocupação com o novo sistema de controle migratório da União Europeia, que já provocou longas esperas em terminais como Lisboa.
O sistema europeu de entrada e saída de passageiros, o EES (Entry/Exit System), pode voltar ao centro de um novo problema neste verão europeu. Segundo o Financial Times, a Itália e outros países da Europa avaliam a possibilidade de suspender temporariamente o uso do sistema durante os meses de maior movimento para evitar filas ainda maiores nos aeroportos.
O alerta partiu de Marco Troncone, CEO da ADR, empresa que administra os aeroportos de Roma. Em entrevista ao jornal britânico, ele afirmou que o processo exigido pelo EES é incompatível com o volume de passageiros esperado nas próximas semanas e que, sem alguma flexibilização, o resultado pode ser um “desastre” operacional em plena alta temporada.
A declaração reforça algo que já vem sendo relatado em diferentes pontos da Europa desde a entrada em vigor do sistema: embora tenha sido criado para modernizar o controle de fronteiras, o EES ainda está longe de funcionar de forma fluida em vários aeroportos.
O que é o EES e por que ele continua causando preocupação
O EES (Entry/Exit System) é o novo sistema da União Europeia para registrar eletronicamente a entrada e a saída de viajantes de fora do Espaço Schengen. Ele substitui os carimbos manuais no passaporte por um controle digital, que inclui coleta de dados biométricos, como foto facial e impressões digitais, na primeira utilização.
Na teoria, o EES foi desenhado para aumentar a segurança e agilizar o controle migratório no médio prazo. Na prática, porém, a implementação tem sido marcada por atrasos, dificuldades operacionais e filas longas em aeroportos que já lidam com um fluxo muito elevado de passageiros.
O problema é que o cadastramento biométrico inicial leva mais tempo do que um controle migratório tradicional. Em períodos de demanda mais forte, como as férias de verão no Hemisfério Norte, isso pode virar rapidamente um gargalo, especialmente em aeroportos que já operam perto do limite.
Roma admite que pode “abrir a válvula” no verão europeu
De acordo com o Financial Times, a administração dos aeroportos de Roma avalia que será impossível manter 100% dos passageiros de fora da União Europeia passando pelo processo completo do EES durante o pico do verão sem comprometer a operação.
Nas palavras de Troncone, a única forma de evitar um colapso seria justamente “abrir a válvula” e deixar parte dos passageiros fora do sistema em determinados momentos, suspendendo temporariamente o uso da plataforma.
Roma apenas colocou em voz alta um receio que já ronda outros aeroportos europeus. O temor é de que, sem ajustes na operação e sem estrutura suficiente para lidar com o aumento do fluxo, o EES volte a empurrar a Europa para um verão de filas longas e gargalos na imigração.
O fantasma de Lisboa volta a rondar a Europa
Para quem acompanha o tema aqui no Pontos pra Voar, esse cenário lembra imediatamente o que aconteceu em Lisboa nos últimos meses.
No fim de 2025, a capital portuguesa virou símbolo do colapso migratório na Europa depois que a implantação do novo sistema de controle levou a filas de até 9 horas no Aeroporto Humberto Delgado. O problema se agravou especialmente com a coleta de dados biométricos de passageiros de fora do Espaço Schengen, incluindo brasileiros.
Na época, o governo português acabou suspendendo temporariamente parte do sistema em Lisboa depois de semanas de congestionamento extremo, falta de estrutura para os passageiros e forte desgaste da imagem do aeroporto. Mais recentemente, o país anunciou reforço de agentes e ampliação dos e-gates para tentar reduzir os tempos de espera.
A fala de Roma ajuda a dar corpo a um receio que já aparecia, ainda que de forma mais dispersa, em outros aeroportos europeus. Ela surge depois de meses em que o EES já mostrou que pode travar aeroportos inteiros quando a infraestrutura e o número de agentes não acompanham a nova complexidade do processo.
O problema não parece restrito à Itália
Embora o caso de Roma tenha sido o que veio a público com mais força agora, a discussão não deve ficar restrita à Itália. O próprio Financial Times trata a situação como um problema mais amplo da Europa neste verão, e o histórico recente sugere que aeroportos com fluxo elevado de passageiros internacionais podem enfrentar dificuldades semelhantes.
Isso vale especialmente para grandes portas de entrada no continente, como Lisboa, Roma, Madri, Paris e outros hubs que concentram voos de longo curso vindos de fora da União Europeia. Quanto maior a proporção de passageiros que precisam passar pelo primeiro registro biométrico no sistema, maior tende a ser a pressão sobre a operação.
Alerta para brasileiros que vão viajar à Europa
Para o passageiro brasileiro, o principal ponto é que o risco de filas longas na imigração europeia continua preocupando, especialmente em aeroportos muito movimentados e durante a alta temporada.
Mesmo que alguns países acabem flexibilizando o uso do EES em determinados períodos, o simples fato de essa discussão estar acontecendo já mostra que o sistema ainda está longe de ser um processo totalmente estabilizado.
Isso significa que quem tem viagem marcada para a Europa nos próximos meses deve considerar algumas precauções:
- evitar conexões muito apertadas em aeroportos de entrada no Espaço Schengen;
- monitorar notícias operacionais sobre o aeroporto de chegada;
- chegar preparado para filas maiores do que o habitual em terminais com forte fluxo internacional;
- e, quando possível, avaliar aeroportos alternativos para entrada na Europa, especialmente se o roteiro permitir.
O EES ainda está longe de um funcionamento estável
Ainda não está claro quais países da Europa, além da Itália, poderão de fato suspender ou flexibilizar o EES durante o verão. Também não se sabe exatamente qual seria o formato dessa suspensão: se passageiros seriam dispensados do cadastro biométrico em determinados horários, se haveria triagem por perfil ou se o sistema seria simplesmente desligado em momentos críticos.
O fato é que, depois de anos de atraso para sair do papel, o EES continua encontrando dificuldades justamente no ponto em que mais prometia melhorar a experiência do passageiro: o fluxo de entrada e saída nos aeroportos.
E, se a Europa já começa a cogitar suspender o sistema em plena alta temporada para evitar um colapso operacional, fica nítido que o projeto ainda está longe de atingir a estabilidade que se esperava dele.
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