A Emirates está perto de receber autorização para operar voos entre Milão, na Itália, e Lima, no Peru, usando os chamados direitos de quinta liberdade. A permissão ainda não foi concedida de forma definitiva, mas, segundo fontes ouvidas pelo jornal italiano Corriere della Sera, falta apenas uma última assinatura para concluir a alteração do acordo bilateral de serviços aéreos entre Itália e Emirados Árabes Unidos.
Emirates pode ligar Milão a Lima
Caso a autorização seja concedida, a Emirates poderá vender passagens apenas no trecho entre Milão-Malpensa e Lima, mesmo sendo uma companhia dos Emirados. O voo teria origem ou destino final em Dubai e manteria o mesmo número durante toda a operação, como já acontece em outras rotas de quinta liberdade da empresa.
A expectativa é que a autorização esteja disponível a tempo da próxima temporada de inverno europeu, que começa no fim de outubro. Isso, porém, não significa que a Emirates vá necessariamente colocar a rota à venda ou iniciar os voos imediatamente.
Procurada pelo Corriere della Sera, a companhia não confirmou que pretende lançar o serviço. Em resposta ao jornal, afirmou que não tem planos imediatos de voar para Lima e que avalia novas oportunidades de acordo com demanda, condições de mercado e disponibilidade de aeronaves.
O que são os direitos de quinta liberdade
A quinta liberdade permite que uma companhia aérea transporte passageiros e cargas entre dois países estrangeiros durante um voo que começa ou termina no país de origem da empresa.
Um exemplo já conhecido da própria Emirates é o voo EK205, que liga Dubai a Nova York com escala em Milão. A companhia vende bilhetes apenas para o trecho Milão–Nova York, embora não seja uma empresa italiana nem americana.
É esse tipo de operação que poderá ser autorizado entre Milão e Lima.
A eventual liberação também não ficaria necessariamente restrita ao Peru. Segundo as fontes citadas pelo Corriere, a Emirates estaria estudando outros destinos nas Américas a partir de Malpensa dentro do mesmo modelo. Entre os mercados avaliados aparecem Los Angeles, São Paulo, Santiago do Chile e Cidade do México.
Por enquanto, não há definição sobre quais dessas rotas poderiam sair do papel.
Por que Lima interessa à Emirates
A escolha de Lima tem uma explicação bastante objetiva: existe demanda relevante entre as duas cidades, mas não há atualmente um voo direto.
Dados de plataformas especializadas do setor indicam que cerca de 150 mil passageiros viajam todos os anos entre Milão e Lima utilizando conexões. O volume coloca a capital peruana como o principal destino ainda sem ligação direta a partir de Malpensa.
Além do turismo e das viagens de negócios, a rota também atende a um fluxo significativo de passageiros entre as comunidades peruana e italiana. O transporte de cargas no porão dos aviões seria outro componente importante para a operação.
Hoje, a Emirates não voa para Lima nem mesmo a partir de Dubai.
Na América do Sul, a companhia atende diretamente Rio de Janeiro, São Paulo e Buenos Aires, enquanto Bogotá aparece em sua rede por meio de Miami. Uma eventual ligação Milão–Lima ampliaria a presença da empresa no continente sem exigir que o passageiro faça conexão em Dubai.
ITA Airways pode sentir a concorrência
A possível chegada da Emirates a Lima a partir de Milão interessa especialmente à ITA Airways, que vem trabalhando para ampliar sua presença na América Latina a partir de Roma-Fiumicino.
A companhia italiana tem atualmente 41% de seu capital nas mãos do grupo Lufthansa, participação que deverá chegar a 90% no início de 2027. A América do Sul está entre os mercados considerados prioritários para novas rotas, e Santiago do Chile aparece entre os destinos que a ITA pretende atender diretamente.
O problema é que um voo da Emirates partindo de Malpensa poderia disputar justamente passageiros do norte da Itália que hoje precisam viajar até Roma, Frankfurt, Paris, Madri ou Londres para depois seguir para a América do Sul.
Milão é um mercado particularmente relevante nesse cenário. A cidade e a região da Lombardia concentram uma parcela importante da demanda corporativa e turística italiana, e Malpensa vem aumentando sua oferta de voos de longa distância.
Uma rota da Emirates de Milão para Lima poderia, portanto, tirar passageiros que hoje alimentam os hubs das grandes companhias europeias. Para a ITA, isso poderia tornar mais difícil sustentar economicamente algumas novas ligações diretas a partir de Roma.
América do Sul virou disputa entre os grandes grupos europeus
A possível entrada da Emirates em Milão ocorre em um momento em que as principais companhias europeias estão olhando com mais atenção para a América Latina.
Lufthansa, Air France-KLM e o grupo IAG, formado por empresas como British Airways e Iberia, vêm ampliando a presença aqui no continente. A disputa também ajuda a explicar o interesse desses grupos pela TAP Air Portugal, cuja posição em Lisboa oferece uma vantagem geográfica para conectar a Europa à América do Sul.
Para a Emirates, a América Latina também tem sido um mercado relevante. Como já mencionamos, a companhia já atende o continente a partir de Dubai com voos para Rio de Janeiro, São Paulo e Buenos Aires, além de Bogotá via Miami.
A companhia também vem avaliando formas de utilizar Malpensa como ponto de partida para novos voos de longa distância. O aeroporto italiano já possui hoje mais ligações diretas com a Ásia do que o aeroporto de Roma-Fiumicino e também vem ampliando sua oferta para a América do Norte.
Milão procura mais voos de longa distância
A possível rota para Lima também se encaixa nos planos do aeroporto de Malpensa para ampliar sua rede intercontinental.
Armando Brunini, CEO da Sea, empresa responsável pela administração de Malpensa e Linate, já havia indicado que a América do Sul está entre os mercados que o aeroporto pretende desenvolver.
Atualmente, São Paulo é o único destino sul-americano servido diretamente a partir de Malpensa, com voos da LATAM.
Se a Emirates conseguir a autorização para Lima e decidir efetivamente operar o trecho, Malpensa passaria a ter uma segunda ligação direta com a América do Sul — e, neste caso, com uma companhia que poderia vender o trecho isoladamente dentro de uma operação de quinta liberdade.
Ainda não há data de início, frequência ou horários definidos. Por enquanto, o que existe é uma autorização regulatória em fase final e uma companhia que, oficialmente, diz não ter planos imediatos de lançar voos para Lima. A próxima temporada de inverno europeu, no entanto, pode ser o momento em que essa situação comece a mudar.
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