A parceria entre a Anac e a FAA atualiza as regras de supervisão de fornecedores aeronáuticos, alinhando processos entre os dois países e reduzindo retrabalho para empresas que atuam nos dois mercados.
A Agência Nacional de Aviação Civil e a Federal Aviation Administration assinaram novas revisões de dois planos que organizam como Brasil e Estados Unidos vão atuar juntos na supervisão de fornecedores da indústria aeronáutica.
Os documentos foram assinados no dia 10 de abril, em Washington, e tratam, na prática, de como uma autoridade pode atuar dentro do território da outra para fiscalizar empresas ligadas à cadeia de produção.
Como funciona
A lógica é relativamente simples, mas com impacto direto na operação.
Se uma empresa brasileira — como a Embraer — tem fornecedores nos Estados Unidos, a FAA pode fazer inspeções nesses fornecedores em nome da Anac. O mesmo vale no caminho inverso.
Isso evita que cada autoridade precise deslocar equipes com frequência para o exterior só para acompanhar auditorias e verificações de rotina.
Mas o ponto central é outro: a responsabilidade continua sendo do fabricante. Ou seja, mesmo com esse apoio cruzado, quem responde pela qualidade e conformidade dos fornecedores ainda é a empresa certificada.
Mais do que um acordo genérico

Foto: ANAC
O documento vai além de uma cooperação institucional e entra no detalhe operacional.
Existe um plano anual de supervisão, com definição de quais fornecedores serão auditados, quais dados precisam ser coletados e em que prazo isso deve acontecer.
Pedidos de inspeção precisam ser feitos com antecedência mínima, e os relatórios das auditorias têm prazo para serem entregues. Não é algo aberto. Tem processo, cronograma e responsabilidade definida.
Outro ponto relevante é a possibilidade de auditorias fora do planejamento. Se surgir algum problema ou suspeita, a Anac pode acionar a FAA para uma verificação específica.
Comunicação rápida em caso de falhas
Um dos trechos mais importantes do acordo trata de comunicação.
Se a FAA identificar peças fora de conformidade, falhas de produção ou qualquer problema relevante em um fornecedor ligado a empresas brasileiras, a informação precisa ser repassada rapidamente à Anac, inclusive por meios diretos, como e-mail ou telefone.
Isso reduz o tempo de resposta em situações que podem impactar a segurança operacional.
Menos deslocamento, mais eficiência
Um dos efeitos mais imediatos do acordo é a redução da necessidade de enviar equipes entre países.
Em vez de deslocar inspetores brasileiros para os Estados Unidos (ou o contrário), a autoridade local assume parte do trabalho. Isso diminui custo, tempo e burocracia, sem eliminar a supervisão.
Essa é uma forma de tornar o processo mais ágil, especialmente em uma cadeia produtiva que é global por definição.
Nem todo fornecedor entra automaticamente
O modelo também não é irrestrito. Para que um fornecedor seja incluído nesse sistema de supervisão, ele precisa cumprir alguns critérios, como estar dentro da jurisdição da FAA, ter certificação válida e constar nos planos de acompanhamento das autoridades.
Ou seja, há um recorte de quais empresas entram nesse tipo de monitoramento.
Leitura
Esse tipo de acordo costuma passar despercebido, mas é fundamental para o funcionamento da indústria.
A cadeia de produção aeronáutica é altamente distribuída. Peças, componentes e sistemas são fabricados em diferentes países antes de chegar à montagem final.
Sem esse tipo de coordenação entre autoridades, o processo fica mais lento, mais caro e, potencialmente, menos eficiente.
Alinhando procedimentos e permitindo essa atuação cruzada, Anac e FAA reduzem fricção operacional e encurtam caminhos, algo que faz diferença no dia a dia da indústria, mesmo que não seja visível para o passageiro.




