A América Latina cresce em viagens aos EUA em 2026, na contramão de outros mercados internacionais. Entre os brasileiros, compras, parques, entretenimento e destinos como Miami, Orlando e Nova York ajudam a explicar esse interesse.
América Latina cresce em interesse pelos EUA
O crescimento de turistas da América Latina em viagens para os EUA ocorre justamente em um período de maior desafio para os americanos. O país busca recuperar sua participação no turismo internacional, especialmente para atrair turistas de outros continentes fora das Américas.
O cenário atual foi recentemente apresentado por Tyler Gosnell, diretor-geral de Turismo Receptivo Internacional da U.S. Travel Association, durante o Summer Summit da entidade, em San Diego.
Segundo os dados apresentados, as chegadas internacionais cresceram 4% globalmente em 2025. No entanto, as visitas aos Estados Unidos recuaram 5% no mesmo período. Já em 2026, a América Latina segue uma direção oposta.
Diferente países da América registraram aumento nas viagens para o país. Por exemplo, o México registrou crescimento de 13% nas visitas até abril, enquanto a Colômbia avançou 17% até junho. Por sua vez, a América do Sul como um todo apresentou alta de 5,5%.
Dados mais recentes do National Travel and Tourism Office também mostram a pressão sobre o turismo receptivo norte-americano. Em abril de 2026, o país recebeu 5,64 milhões de visitantes internacionais, queda de 5,5% sobre abril de 2025.
Para Gosnell, fatores estruturais ajudam a explicar o desempenho latino-americano.
“A América Latina é a única região que está crescendo no Turismo receptivo internacional para os Estados Unidos em 2026. Os fatores que impulsionam esse crescimento vão muito além de um único ano forte. O aumento da classe média, a ampla conectividade aérea, os profundos laços familiares e de amizade, além da possibilidade de combinar lazer, visitas a familiares, compras e negócios em uma única viagem aos EUA, estão contribuindo para o dinamismo da região”, afirmou.
Nesse cenário, o interesse dos brasileiros e fluxo de viagens para os EUA ajuda a mostrar por que a região apresenta números positivos. Entre os diferentes motivos que levam brasileiros a buscarem os EUA estão: parques temáticos, compras, visitas a familiares, enxoval de bebês, entre outros.
Parques temáticos, por exemplo, costuma motivar uma primeira viagem, especialmente para famílias com crianças. Enquanto para viagens em casais , Nova York entrega uma experiência urbana completamente diferente.
Além disso, uma mesma viagem pode reunir vários desses elementos. É justamente essa combinação que ajuda a manter os Estados Unidos entre os destinos internacionais procurados pelos brasileiros, mesmo diante de dólar elevado, custos maiores e necessidade de visto.
Para a indústria turística norte-americana, o desempenho da América Latina também deixa um recado importante. Como destacou Tyler Gosnell, existe espaço para capturar uma parcela ainda maior desse mercado.
“A América Latina está mostrando como poderia ser a história do Turismo receptivo dos EUA em todas as regiões do mundo. O potencial é muito maior do que aquilo que estamos capturando atualmente”, afirmou o executivo.
Motivações dos brasileiros para viagens aos EUA
Para os brasileiros, os Estados Unidos oferecem uma característica importante: a possibilidade de realizar viagens bastante diferentes dentro de um mesmo país.
Uma família pode viajar para Orlando tendo os parques como objetivo principal. No entanto, compras, restaurantes e outras atrações geralmente também entram no roteiro. Miami, por outro lado, permite combinar praias, gastronomia, compras e entretenimento. Além disso, a cidade funciona como ponto de partida para cruzeiros pelo Caribe e viagens pela Flórida.
Nova York oferece uma proposta completamente diferente. Museus, espetáculos da Broadway, gastronomia, compras e atrações mundialmente conhecidas sustentam seu apelo entre viajantes brasileiros.
Essa diversidade ajuda a explicar por que o mercado brasileiro permanece relevante mesmo diante de obstáculos. Entre eles estão a necessidade de visto e um câmbio menos favorável do que aquele encontrado há alguns anos.
Flórida como destino principal
Poucos destinos nos EUA atraem tantos os brasileiros como a Flórida. Além de ser um dos pontos de conexão mais próximos, a facilidade de comunicação por conta do grande número de pessoas falando português e espanhol aumentam o interesse pelo Estado.
A Flórida, por exemplo, recebeu 143,3 milhões de visitantes em 2025, estabelecendo um novo recorde. Neste contexto, o número de turistas brasileiros cresceu 10,4% em relação a 2024, segundo dados do portal Visit Florida.
A tendência continuou positiva no início deste ano. No primeiro trimestre de 2026, a Flórida recebeu 39,88 milhões de visitantes. Somente o turismo internacional, excluindo o Canadá, avançou 8,5% na comparação anual.
Entre os brasileiros, Orlando permanece como um dos grandes destaques. Em 2025, a cidade recebeu 736,3 mil visitantes brasileiros, crescimento de 5,6% sobre o ano anterior. Foi um recorde para o mercado brasileiro. Com esse resultado, o Brasil permaneceu como o terceiro maior mercado internacional de Orlando. Ficou atrás apenas do Canadá e do Reino Unido.
O resultado chama ainda mais atenção quando comparado ao desempenho internacional geral da cidade. Orlando recebeu 6,3 milhões de visitantes estrangeiros em 2025, uma queda de 2,4%. Enquanto isso, o fluxo de brasileiros avançou.
Parques, compras e passeios dividem espaço no roteiro
Os parques temáticos são uma das razões mais evidentes para visitar Orlando. Porém, os números mostram que a experiência dos viajantes vai muito além deles. Dados do Survey of International Air Travelers sobre Orlando-Kissimmee-Sanford ajudam a dimensionar esse comportamento.
Entre os visitantes pesquisados, 87% apontaram compras entre seus principais interesses. Passeios turísticos apareceram com 82%, enquanto os parques temáticos alcançaram 76%. Além disso, 33% aproveitaram a viagem para visitar Miami. A permanência média na região chegou a 15,8 dias, enquanto o gasto médio ficou em aproximadamente US$ 2 mil por pessoa.
Na prática, esses números mostram uma característica importante da Flórida. Uma única viagem consegue reunir interesses de diferentes integrantes da família. Os parques do Walt Disney World, Universal Orlando e SeaWorld ocupam vários dias do roteiro. Ao mesmo tempo, outlets, shoppings, restaurantes e outras atrações ampliam as possibilidades.
Além disso, a proximidade relativa entre Orlando e o sul da Flórida facilita viagens que incluem diferentes cidades.
Compras ainda fazem parte da experiência dos brasileiros
A relação entre brasileiros, Flórida e compras também permanece bastante presente. Miami foi escolhida, pelo terceiro ano consecutivo, como a melhor cidade para compras no exterior no levantamento Viaja São Paulo, realizado pelo Datafolha em 2026.
A cidade recebeu 16% das menções. Orlando apareceu depois, com 10%, seguida por Nova York, com 9%. Há vários motivos para isso. Grandes outlets, lojas de departamento e acesso a produtos recém-lançados continuam atraindo consumidores brasileiros.
Mesmo com o dólar mais elevado, determinadas compras ainda podem apresentar preços competitivos frente ao Brasil. Porém, essa vantagem não deve ser considerada automática. O viajante precisa comparar preços, considerar os impostos cobrados nos Estados Unidos e incluir os custos da operação financeira realizada no exterior.
Ainda assim, eletrônicos, roupas, calçados e outros produtos podem apresentar boas oportunidades. Promoções e outlets também ajudam a manter as compras como parte relevante da viagem.
Enxoval do bebê: o queridinho do momento
Existe ainda um tipo de viagem particularmente associado aos brasileiros: a compra do enxoval do bebê nos EUA.
Orlando e Miami desenvolveram uma estrutura voltada para esse público, incluindo lojas especializadas e serviços de acompanhamento de compras. Entre os motivos estão a variedade de produtos, acesso a determinados lançamentos e diferenças de preços em algumas categorias. Carrinhos, babás eletrônicas, roupas e acessórios costumam aparecer nas listas das famílias.
Naturalmente, a vantagem financeira depende dos produtos escolhidos e da cotação do dólar. Além disso, limites de bagagem e regras alfandegárias também precisam entrar na conta.
Ainda assim, o enxoval mostra como as compras se misturam ao turismo. Para algumas famílias, elas se tornam inclusive uma das razões para programar uma viagem aos Estados Unidos.
Miami combina compras com praia e entretenimento
Miami representa outro componente importante da preferência brasileira pela Flórida. A cidade combina uma ampla estrutura comercial com praias, restaurantes, vida noturna, eventos esportivos e clima quente durante boa parte do ano.
Além disso, a oferta de voos ajuda a aproximar o destino do mercado brasileiro. Miami também serve como porta de entrada para outros pontos da Flórida. O destino ainda ganhou relevância em segmentos como o turismo esportivo. A cidade recebe eventos como o Miami Open e o Grande Prêmio de Miami de Fórmula 1.
Dessa forma, uma viagem inicialmente planejada para compras pode incorporar praia, gastronomia, esportes e outros passeios.
Nova York a cidade que reúne tudo que você espera
Embora a Flórida concentre uma parcela importante das viagens dos brasileiros aos EUA, ela está longe de resumir o interesse.
Nova York oferece justamente o contraponto. A cidade reúne algumas das atrações turísticas mais conhecidas do mundo, além de uma grande concentração de museus, restaurantes, lojas e espetáculos.
Times Square, Central Park e os observatórios de Manhattan convivem com museus e produções da Broadway. Além disso, cada bairro permite experiências bastante diferentes. Para quem gosta de turismo urbano, poucos destinos oferecem tantas possibilidades em uma única viagem.
E as compras novamente aparecem como parte dessa experiência. No levantamento Datafolha de 2026, Nova York ficou atrás apenas de Miami e Orlando entre as cidades lembradas para compras internacionais.
Dólar alto exige atenção do turista brasileiro
O câmbio certamente mudou a dinâmica das viagens aos Estados Unidos. Com um dólar mais elevado, gastos que anteriormente pareciam pequenos podem pesar consideravelmente no orçamento. Isso não significa, entretanto, que as compras deixaram de fazer sentido.
A comparação precisa ser feita produto por produto. Em determinadas categorias, a diferença de preços ainda pode compensar. Promoções, outlets e produtos pouco disponíveis no Brasil também podem tornar a compra interessante.
Por outro lado, é importante lembrar que o preço apresentado nas lojas norte-americanas geralmente não inclui o imposto local, acrescentado no momento do pagamento.
O meio de pagamento também merece atenção. Compras realizadas com cartões de crédito brasileiros podem envolver IOF, spread cambial e outras condições definidas pelo emissor. Dependendo do cartão, esses custos reduzem ou até eliminam uma eventual vantagem encontrada no preço do produto.
Por isso, antes da viagem, vale conferir as condições do cartão e comparar alternativas para pagamentos internacionais.
Para quem acumula pontos e milhas, a análise também deve considerar a pontuação oferecida em compras no exterior. Alguns cartões bonificam esses gastos, enquanto outros priorizam câmbio mais competitivo ou redução de determinadas tarifas.
O melhor cenário dependerá do perfil de cada viajante. O importante é buscar uma alternativa que reduza os custos da transação e, quando possível, potencialize o acúmulo de pontos e milhas.
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