A Justiça dos Estados Unidos autorizou o prosseguimento de uma ação coletiva contra a United Airlines, após passageiros alegarem que pagaram valores adicionais para reservar assentos de janela, mas descobriram durante o voo que os lugares ficavam ao lado de uma parede, sem qualquer janela. A indenização solicitada ultrapassa US$ 5 milhões.
A United Airlines terá de responder na Justiça a uma ação coletiva movida por passageiros que afirmam ter sido induzidos ao erro durante a escolha de assentos na janela.
O processo questiona a cobrança de taxas extras para a reserva de assentos classificados como “janela”, embora alguns desses lugares fiquem ao lado de uma parede da fuselagem, sem qualquer abertura para o exterior.
Nesta semana, um juiz federal da Califórnia negou o pedido da companhia para encerrar o caso antes do julgamento, permitindo que a ação siga tramitando.
Passageiros afirmam que pagaram por um benefício inexistente
Segundo os autores da ação, a United cobrava um valor adicional para que os clientes escolhessem antecipadamente seus assentos.
Em alguns voos domésticos, a taxa podia ultrapassar US$ 50, enquanto em determinadas rotas internacionais o valor chegava a superar US$ 100.
O problema, segundo os passageiros, é que alguns dos lugares vendidos como “assentos de janela” não possuem janela ao lado da poltrona.
Eles alegam que pagaram justamente pela vista durante o voo e só descobriram a ausência da janela após embarcarem na aeronave.
Juiz considera alegação plausível
Na tentativa de encerrar o processo, a United argumentou que o termo “window seat” (assento de janela) descreve apenas a posição da poltrona em relação ao corredor da aeronave, e não garante necessariamente a existência de uma janela.
O juiz responsável pelo caso, no entanto, entendeu que essa interpretação poderá ser discutida no processo.
Na decisão, o magistrado destacou que tanto a tela de seleção de assentos quanto o cartão de embarque identificavam claramente o lugar como um assento de janela, o que pode criar uma expectativa razoável de que exista uma janela ao lado do passageiro.
Quais aeronaves são afetadas?
O problema ocorre em alguns modelos de aeronaves utilizados pela United, especialmente determinados Boeing 737 e Airbus A321.
Nesses aviões, algumas fileiras coincidem com áreas da fuselagem ocupadas por componentes estruturais, sistemas de ar-condicionado, dutos ou cabos, fazendo com que determinadas poltronas fiquem ao lado de uma parede em vez de uma janela.
Embora o assento permaneça na lateral da cabine, não há abertura para o exterior.
Companhia alterou a seleção de assentos
A United informou que, desde 2025, passou a fornecer informações mais detalhadas durante o processo de escolha dos assentos em seu site e aplicativo.
Segundo a empresa, as mudanças ajudam os passageiros a compreender melhor as características de cada poltrona antes da compra.
A companhia, entretanto, não comentou o mérito da ação judicial.
Indenização pode superar US$ 5 milhões
Os autores afirmam que centenas de milhares de passageiros podem ter sido afetados ao longo dos últimos anos.
A ação coletiva pede uma indenização superior a US$ 5 milhões, valor que poderá aumentar caso mais consumidores sejam incluídos no processo.
Delta também enfrenta processo semelhante
A United não é a única companhia envolvida nesse tipo de disputa.
A Delta Air Lines também responde a uma ação semelhante nos Estados Unidos, relacionada à venda de assentos identificados como “janela” que, em algumas aeronaves, ficam ao lado de uma parede.
Segundo os autores dos processos, companhias como American Airlines e Alaska Airlines já informam previamente quando determinado assento lateral não possui janela, evitando que o passageiro seja surpreendido após o embarque.
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