A situação da Flybondi ganhou mais um capítulo nesta semana: o site da companhia aérea argentina está fora do ar desde a noite de segunda-feira (17), exibindo o erro 504, que indica falha de comunicação com o servidor da empresa. A indisponibilidade afeta serviços importantes para os passageiros, como compra de passagens, gerenciamento de reservas e check-in. O problema ocorre justamente em um momento em que a companhia atravessa uma das fases mais delicadas de sua história recente.
Crise operacional se agravou nos últimos meses
Além da queda do site, a Flybondi está há dias sem realizar voos. A paralisação das operações ocorre depois de uma sequência de cancelamentos e da redução drástica da quantidade de aeronaves em atividade.
A situação da Flybondi já vinha chamando a atenção das autoridades. No Brasil, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) identificou uma forte deterioração na operação da empresa e, no fim de julho, determinou restrições à venda de passagens.
Entre 1º e 27 de julho, a companhia cancelou 79% dos voos registrados no Brasil, segundo dados analisados pela Anac. O órgão também apontou redução contínua das operações, divergências entre os voos programados e os efetivamente realizados e aumento das reclamações de passageiros.
Inicialmente, a restrição brasileira atingiu a venda de bilhetes para Florianópolis, Maceió e Salvador, destinos que a Flybondi ainda não operava de forma efetiva. A empresa também ficou impedida de ampliar sua malha no país.
Em agosto, a medida foi ampliada para a rota Buenos Aires–Rio de Janeiro/Galeão, depois que a Anac concluiu que as informações apresentadas pela companhia não eram suficientes para demonstrar a recuperação da capacidade operacional.
O acompanhamento da agência mostra o tamanho da retração. Segundo dados divulgados em agosto, a Flybondi passou de 576 voos realizados no Brasil em janeiro para apenas 50 em junho. Até 10 de agosto, estavam previstos somente quatro voos, dos quais dois foram efetivamente realizados.
Site fora do ar aumenta os problemas para os passageiros
A queda do site ocorre em um momento particularmente complicado porque os canais digitais são fundamentais para uma companhia que opera com estrutura enxuta.
Com a página indisponível, passageiros podem encontrar dificuldades para consultar reservas, alterar itinerários ou realizar procedimentos relacionados aos voos. A falha também atinge a própria comercialização de novos bilhetes.
O problema técnico, portanto, se soma a uma situação operacional que já vinha limitando a capacidade da Flybondi de atender regularmente seus passageiros.
Funcionários e credores também pressionam a companhia
A crise não está restrita às operações aéreas.
A Flybondi enfrenta problemas financeiros e trabalhistas, incluindo relatos de salários em atraso e mais de 700 ex-funcionários aguardando o pagamento de indenizações. A situação também gerou pedidos de falência e especulações sobre uma eventual recuperação judicial da empresa.
A companhia passou ainda por uma mudança de controle. O grupo COC Global Enterprise, novo controlador, anunciou anteriormente uma injeção de capital de US$ 70 milhões e atribuiu parte dos problemas encontrados à administração anterior.
Nos últimos meses, a empresa também reduziu de maneira significativa sua participação no mercado doméstico argentino. Em julho, segundo os dados citados pela imprensa especializada, a Flybondi chegou a representar apenas 1% do mercado de cabotagem, sendo ultrapassada pela Andes.
Flybondi pode ganhar outro nome?
Em meio à reestruturação, surgiu também a possibilidade de uma mudança de marca. O nome OCA Air passou a ser associado ao futuro da operação, embora a companhia ainda não tenha apresentado oficialmente uma nova identidade comercial para substituir a Flybondi.
O domínio relacionado ao nome já teria sido registrado em julho por uma empresa ligada à COC, mas isso, por si só, não significa que a mudança de marca esteja confirmada.
Por enquanto, a prioridade parece ser outra: recuperar a operação, regularizar a situação financeira e restabelecer os canais de atendimento.
A queda do site da Flybondi é, portanto, mais um problema em uma sequência que já envolve cancelamentos em massa, redução da frota operacional, restrições regulatórias no Brasil, dificuldades trabalhistas e paralisação dos voos. Para os passageiros, o cenário exige atenção redobrada antes de qualquer nova compra ou viagem com a companhia.
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