O Lufthansa Group está antecipando decisões que já vinham sendo discutidas internamente, com cortes na operação, saída de aeronaves antigas como o Airbus A340-600 e o Boeing 747-400, além do fim da Lufthansa CityLine. Ao mesmo tempo, direciona investimentos para modelos mais eficientes, como o Airbus A350-900, e ajusta custos em várias frentes. O resultado é uma operação mais enxuta em um momento de pressão tanto do combustível quanto das disputas trabalhistas.
O Lufthansa Group anunciou uma série de cortes na sua operação que vão muito além de um ajuste pontual. A companhia está reduzindo capacidade, aposentando aeronaves e encerrando atividades internas enquanto lida, ao mesmo tempo, com um ambiente de custos mais pressionado e uma escalada de conflitos com funcionários.
O pacote afeta todas as frentes — curto, médio e longo curso — e começa de forma imediata, com impactos que se estendem até 2027.
Lufthansa encerra as atividades da CityLine
A primeira medida já entra em vigor praticamente de imediato: os 27 aviões da Lufthansa CityLine deixam de operar dentro do grupo.
A subsidiária regional vinha registrando prejuízos e operava uma frota envelhecida de jatos Canadair CRJ, com custos elevados. A retirada já vinha sendo considerada, mas acabou antecipada.
O grupo afirma ter oferecido alternativas internas para os funcionários, incluindo transferência para novas estruturas e outras subsidiárias.
A340-600 se despede e 747-400 entra na reta final
No longo curso, a Lufthansa acelera a retirada de aeronaves antigas. Os quatro últimos Airbus A340-600 deixam a frota em outubro, encerrando definitivamente a operação do modelo.
Além disso, dois Boeing 747-400 serão retirados de operação durante o inverno europeu, com aposentadoria total prevista para o próximo ano.
A decisão faz sentido, afinal, aviões com quatro motores consomem mais combustível e ficaram caros demais de operar no cenário atual de alta do querosene.
O plano inclui ainda uma terceira etapa, prevista para o inverno 2026/2027, com nova redução na operação de curto e médio curso da marca principal. O corte equivale a cinco aeronaves e faz parte de uma reorganização da malha entre os principais hubs do grupo.
Combustível caro pressiona, mas não explica tudo
A Lufthansa destaca o aumento expressivo do custo do querosene, que mais do que dobrou em relação ao período anterior ao conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã.
Hoje, cerca de 80% do consumo está protegido por hedge, mas os 20% restantes são comprados a preços atuais, justamente a parte mais cara. Com os cortes, a companhia pretende reduzir essa exposição.
O CFO Till Streichert foi direto ao justificar as medidas.
“Esse pacote é inevitável diante do aumento acentuado dos custos de combustível e da instabilidade geopolítica. Já vínhamos considerando a retirada da CityLine, mas o cenário atual nos obrigou a antecipar.”
Greves recorrentes ajudam a explicar a urgência
O anúncio acontece em um momento particularmente conturbado para a Lufthansa. A companhia enfrenta uma sequência de greves envolvendo pilotos e comissários, com paralisações praticamente ao longo de toda a semana.
Os sindicatos, como a Vereinigung Cockpit (pilotos) e a UFO (tripulação de cabine), vêm intensificando a pressão. Em alguns dias recentes, até 80% a 90% dos voos foram afetados, incluindo operações nos principais hubs de Frankfurt e Munique.
A operação tem sido marcada por interrupções frequentes, reacomodações em massa e um desgaste crescente na experiência do passageiro.
Lufthansa realoca frota e amplia cortes de custos
Enquanto corta capacidade na Lufthansa “principal”, o grupo direciona nove Airbus A350-900 adicionais para a Discover Airlines, braço focado em rotas de lazer. Nada por acaso aqui; esse tipo de operação é mais enxuta e flexível.
Além da operação aérea, o grupo anunciou novas metas de redução de custos administrativos, incluindo despesas com contratações, eventos e consultorias.
As medidas se somam ao plano já existente de eliminar 4 mil posições administrativas até 2030.
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O combustível pode até ter acelerado tudo, mas essas mudanças já estavam no plano. A diferença é só o timing. O que poderia ser implementado de forma gradual está sendo antecipado, em um momento em que a companhia enfrenta simultaneamente pressão de custos e instabilidade operacional causada por conflitos trabalhistas.
Por hora, a tendência é de uma operação mais enxuta, especialmente na Europa. A redução de voos e a instabilidade causada por greves devem continuar afetando a experiência, pelo menos enquanto não houver resolução com os sindicatos.
Por outro lado, a retirada de aeronaves antigas e a entrada de modelos mais modernos podem trazer melhorias no médio prazo, principalmente em rotas de longo curso.
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