A FAA, agência de aviação civil dos Estados Unidos, determinou que companhias aéreas façam inspeções em 471 Boeing 737 MAX 8, MAX 9 e MAX 8-200 registrados no país após a identificação de um possível problema de fadiga estrutural na região próxima à porta dianteira de serviço.
A medida envolve uma peça de reforço da fuselagem conhecida como bear strap. A preocupação é que, com o uso da aeronave, possam surgir fissuras na estrutura. A diretiva entra em vigor em 10 de setembro de 2026 e estabelece os procedimentos e prazos para que as empresas façam as verificações.
Onde está o possível problema
As inspeções dos Boeing 737 MAX serão concentradas nos cantos superiores da estrutura da porta dianteira de serviço, no lado direito da aeronave. É nessa região que foram identificadas as condições que podem levar ao aparecimento de trincas por fadiga.
A preocupação da FAA está relacionada à integridade estrutural da fuselagem. Caso uma fissura não seja identificada e continue evoluindo, ela pode reduzir a capacidade da estrutura de suportar as cargas para as quais foi projetada.
A agência, no entanto, não determinou a retirada dos 737 MAX afetados de serviço. O cronograma de inspeções foi estabelecido de acordo com a utilização de cada aeronave, permitindo que eventuais fissuras sejam encontradas e corrigidas antes que representem um problema para a operação.
Caso uma trinca seja encontrada, o avião deverá passar pelo reparo necessário antes de voltar a voar.
FAA não fala em suspensão dos voos
A determinação é diferente de uma ordem para deixar toda a frota em solo. A FAA entende que os prazos definidos para as inspeções permitem que as aeronaves continuem operando enquanto as verificações são realizadas.
Esse ponto é importante porque a existência de uma diretiva de aeronavegabilidade não significa, necessariamente, que todos os aviões daquele modelo estejam apresentando o problema. As diretivas da FAA são instrumentos usados para determinar ações obrigatórias quando a autoridade identifica uma condição que precisa ser corrigida ou monitorada.
Neste caso, a preocupação está relacionada a uma possibilidade de fissuração em uma área estrutural específica, e não a uma constatação de que os 471 aviões estejam com trincas.
Boeing já trabalha em alteração de projeto
A Boeing informou que realizou uma análise de engenharia para investigar a origem do problema e está trabalhando em modificações de projeto para evitar que o mecanismo responsável pelas fissuras volte a ocorrer em aeronaves futuras.
Segundo as informações divulgadas sobre a medida, a fabricante já havia recomendado inspeções aos operadores por meio de um boletim de serviço emitido no fim de 2024.
Há ainda um precedente dentro da própria família 737: versões anteriores já registraram fissuras e casos de fadiga estrutural em componentes semelhantes.
Mais uma inspeção envolvendo o 737 MAX
A nova determinação chega poucas semanas depois de outra medida envolvendo o mesmo modelo.
Em julho, a FAA determinou inspeções em mais de 450 Boeing 737 MAX para verificar a instalação correta de determinados conjuntos de assentos. As duas situações, porém, são distintas e não estão relacionadas entre si.
A nova inspeção ocorre também em um momento em que a FAA mantém acompanhamento próximo da produção da Boeing. Em julho, a agência autorizou a fabricante a voltar a emitir diretamente os certificados de aeronavegabilidade de novos 737 MAX e 787 ao fim do processo de produção, depois de meses de acompanhamento da qualidade da fabricação.
A FAA afirmou na ocasião que continuará mantendo inspetores nas instalações da Boeing e acompanhando processos de fabricação, incluindo atividades de montagem consideradas críticas e o sistema de gerenciamento de segurança da empresa.
Para os passageiros, a determinação atual não significa uma suspensão da operação dos 737 MAX nos Estados Unidos. O que muda é a obrigação de as companhias verificarem a estrutura das aeronaves dentro dos prazos estabelecidos e corrigirem qualquer fissura que eventualmente seja encontrada.
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