Durante oito noites em Fernando de Noronha, tive tempo para aproveitar não apenas as praias paradisíacas, mas também conhecer os restaurantes da ilha. Neste review, compartilho minhas experiências, escolhas e impressões pessoais sobre os restaurantes que visitei. Alguns confirmaram boas lembranças de viagens anteriores, outros foram ótimas descobertas e, infelizmente, também houve decepção.
Minha sugestão de restaurantes em Fernando de Noronha
Fernando de Noronha tem uma quantidade surpreendente de restaurantes para o tamanho da ilha. Há desde estabelecimentos mais simples até experiências gastronômicas elaboradas, com preços e propostas para diferentes públicos.
Como tinha um tempo limitado em Noronha, precisei fazer algumas escolhas. Decidi voltar a restaurantes que já conhecia e onde havia tido boas experiências. Ao mesmo tempo, reservei algumas noites para conhecer lugares novos.
Depois de oito noites, consegui montar meu ranking pessoal. Naturalmente, ele reflete exclusivamente a minha experiência e meu gosto. Ainda assim, acredito que possa ajudar quem está planejando uma viagem para a ilha.
1. Cacimba: disparado o nosso favorito
Em primeiríssimo lugar, e com alguma distância dos demais, ficou o Cacimba.
Conheci o restaurante na minha primeira viagem a Fernando de Noronha, em 2022. Naquela época, ele funcionava na Vila dos Remédios, próximo à Praia do Cachorro. Atualmente, está instalado na Vila do Trinta, próximo ao centro da ilha.
Minha impressão é de que o Cacimba cresceu bastante nesses quatro anos. Além do novo espaço, o restaurante parece ter aprimorado ainda mais sua proposta gastronômica. O ambiente tem uma decoração praiana, um interessante bar de drinks com opções autorais e DJ animando a noite. Ainda assim, a música não tira o protagonismo daquilo que realmente importa: a comida.
Comandado pelo chef Auricélio Romão, o Cacimba aposta principalmente em preparações com peixes, camarões e outros frutos do mar. Além do restaurante, o chef está à frente da Casa do Auri, dedicada a eventos privados, conforme nos explicou o garçom.
Entre nossas escolhas, um dos grandes destaques foi o Camarão na farofa de alho à Mari. O prato trazia camarões acompanhados por um arroz caldoso extremamente saboroso.
No entanto, outro prato conseguiu disputar nossa preferência: os Camarões e banana ao curry tailandês. A combinação da banana-da-terra com o curry criava uma mistura de sabores simplesmente espetacular.
Foi a melhor restaurante da viagem, ao qual eu certamente voltaria em uma próxima passagem por Noronha e, não por menos, ocupa o primeiro lugar do meu roteiro gastronômico na ilha.
2. Bar do Meio: muito além do pôr do sol
Dentre os resturantes da ilha, o Bar do Meio provavelmente dispensa apresentações para quem já pesquisou uma viagem a Fernando de Noronha.
Localizado em um dos pontos mais privilegiados da ilha, tornou-se famoso pelo pôr do sol e pelos finais de tarde badalados. Porém, reduzir o Bar do Meio à vista e à badalação seria injusto. A gastronomia também merece bastante destaque.
Comandada pela chef gaúcha Carolina Judacheski, a cozinha entrega pratos que chamam atenção pela qualidade dos ingredientes e, principalmente, pelos sabores marcantes.
Começamos pelos dadinhos de tapioca com geleia de pimenta e pelo pastel de queijo gorgonzola, acompanhado por um molho caseiro. As duas entradas estavam deliciosas e que foram, aliás, um presente da chef quando descobriu nossa origem gaúcha.
Nos pratos principais, meu favorito foi o Peixe agridoce, preparado com filé de peixe cozido em molho de laranja, acompanhado por risoto de abóbora e erva-doce. A combinação de sabores funcionou muito bem.
Também provamos o peixe na bananeira, servido sobre purê de banana-da-terra. Outra ótima escolha foi o peixe ao molho de camarão da vovó Mercedes, com filé grelhado sobre purê de batata e molho de camarão.
Portanto, mesmo que o pôr do sol seja o grande cartão de visitas do Bar do Meio, vale reservar espaço tanto para almoçar, quanto para jantar, pois o Bar funciona o dia inteiro.
3. Varanda: guarde espaço para a sobremesa
A partir daqui, ficou bem mais difícil organizar o ranking. Os resturantes Varanda e Beijupirá tiveram experiências bastante próximas e poderiam facilmente trocar de posição.
Coloquei o Varanda em terceiro lugar, pois está entre os um clássico de Fernando de Noronha e participa da associação Boa Lembrança, que reúne restaurantes de diferentes regiões brasileiras. Quem escolhe determinados pratos recebe uma cerâmica exclusiva, pintada à mão, como recordação da experiência.
Os pratos que provamos foram honestos e saborosos. Um dos destaques foi o linguine com molho fundido de queijos e camarões grelhados, que estava muito bom.
Também escolhemos o Burburinho, prato que combina camarões flambados com mignon de sol. Acompanhavam risoto de carne de sol e camarão, castanhas, chips de batata-doce e picles de maxixe.
Porém, quem realmente roubou a cena naquela noite foi a sobremesa. A tradicional Cocada do Varanda é uma cocada cremosa, servida ainda morna, acompanhada por sorvete de coco, farofa crocante de coco e raspas de limão. Dá para sentir o gosto só de descrever.
Mesmo que você escolha outro restaurante para jantar, considero que vale a pena passar pelo Varanda apenas para experimentar a cocada.
4. Beijupirá: ambiente e atendimento também fazem diferença
Praticamente empatado com o Varanda aparece o Beijupirá.
A história do restaurante começou em Porto de Galinhas, em 1991. Atualmente, a marca também possui unidades em outros destinos do Nordeste, como Olinda, Praia dos Carneiros e Praia da Laje (no Alagoas).
A unidade da ilha chama atenção logo na chegada. A arquitetura é moderna, mas consegue manter uma atmosfera acolhedora. Sentamos em uma mesa na área da “adega”, um espaço mais reservado e muito agradável. Começamos encantados pelo ambiente e seguimos igualmente satisfeitos com o atendimento.
Nosso garçom conhecia realmente a história do restaurante, os ingredientes e as características dos pratos. Isso fez diferença na experiência. Além disso, as porções eram muito bem servidas.
Um dos destaques foi o baião de polvo, uma releitura do tradicional baião de dois com polvo. Também gostei bastante do Beijucastanha, um filé de peixe empanado em crosta de castanha, acompanhado por arroz de espinafre e batatas flambadas.
Por fim, experimentamos a Beijuqueca, uma saborosa moqueca de peixe com camarão. Foi outra excelente escolha e ajudou a colocar o Beijupirá entre as melhores experiências da viagem.
5. Xica da Silva: ainda bem que demos uma segunda chance
O quinto lugar ficou com o famoso Xica da Silva, embora ele também pudesse disputar uma posição acima no ranking.
Eu já havia visitado o restaurante em outra oportunidade e lembrava de ter saído um pouco decepcionado com os pratos. Mesmo assim, resolvemos dar uma segunda chance – e ainda bem!
Desta vez, a experiência foi completamente diferente. Escolhemos o camarão gratinado com arroz de siri e farofa crocante de panko, e o prato estava delicioso.
O ambiente também é bastante aconchegante. Para quem puder escolher, minha sugestão é ficar em uma das mesas da varanda, que torna a experiência ainda mais agradável.
Depois dessa segunda visita, o Xica da Silva voltou para a minha lista de restaurantes que considero boas opções em Fernando de Noronha.
6. Mavi – Casa Mediterrânea: escolha um bom dia para aproveitar a experiência
Na sexta posição ficou o Mavi – Casa Mediterrânea, mas aqui preciso fazer uma ressalva: acredito que simplesmente não demos sorte no dia escolhido para conhecê-lo.
O Mavi estava programado para ser nosso primeiro jantar em Fernando de Noronha. Havíamos reservado um dos bangalôs justamente para aproveitar o pôr do sol enquanto começávamos nosso roteiro gastronômico pela ilha. Só não contávamos com o clima.
Naquela tarde, o tempo estava bastante fechado e chuvoso. Acredito que isso tenha afastado boa parte do público, pois encontramos o restaurante praticamente vazio. Em outros momentos da viagem, passamos novamente pelo local e vimos um movimento bem maior.
O clima faz bastante diferença na experiência do Mavi. O restaurante tem uma proposta muito ligada ao fim de tarde, com bangalôs e música ao vivo, combinação que tem tudo para funcionar muito bem durante o pôr do sol de Noronha.
Porém, se as condições externas não colaboraram conosco, a cozinha fez sua parte. Tudo o que experimentamos estava muito saboroso. Começamos pelo pastel de queijo e pelo fish and chips, duas ótimas opções para compartilhar.
Entre os pratos, também provamos atum selado, filé de peixe acompanhado por risoto de alho-poró e polvo. De maneira geral, tudo estava muito bem preparado e não tivemos nenhuma decepção com a comida.
Por isso, a sexta posição no meu ranking de restaurantes em Fernando de Noronha não significa que o Mavi tenha sido uma experiência ruim. Pelo contrário, gastronomicamente gostamos bastante. Minha recomendação é apenas escolher bem o dia da visita. Com céu aberto, pôr do sol, música ao vivo e um dos bangalôs reservados, acredito que a experiência possa ser completamente diferente daquela que tivemos.
Eu certamente daria uma nova chance ao Mavi em uma próxima viagem – desta vez, acompanhando a previsão do tempo antes de fazer a reserva.
7. Benedita: a grande decepção da viagem
Infelizmente, nem todas as experiências foram positivas.
O Benedita acabou sendo nossa maior decepção gastronômica durante os oito dias na ilha.
Fomos ao restaurante com bastante expectativa, principalmente para experimentar o famoso filé Wellington de atum. Já tínhamos lido e ouvido comentários sobre o prato antes da viagem.
Na chegada à ilha, passamos em frente ao restaurante e confesso que ficamos em dúvida sobre manter a reserva. Como já estava programado, decidimos conhecer.
O problema principal foi a grande diferença entre os pratos servidos à mesa. Em alguns, o atum passou do ponto, apesar da proposta de permanecer cru no centro. Em outros, a massa folhada estava queimada.
Além dessas diferenças na execução, sentimos falta de sabor no conjunto. Considerando a expectativa criada em torno do prato, a experiência ficou bastante abaixo do que esperávamos.
Naturalmente, essa foi a experiência que tivemos naquela noite e não significa que outros clientes terão a mesma percepção. Porém, entre todos os restaurantes visitados durante a viagem, foi aquele ao qual eu não voltaria.
Uma parada obrigatória: Gelato Paradiso
Para fechar este roteiro, se estiver caminhando pelo centrinho de Fernando de Noronha depois do jantar, vale incluir uma parada no Gelato Paradiso.
Gostamos tanto que minha recomendação é simples: experimente um sabor diferente em cada noite que estiver por lá.
E ainda tivemos uma descoberta no momento de deixar a ilha. O Gelato Paradiso também possui uma unidade no Aeroporto de Fernando de Noronha, permitindo uma última parada antes de ir embora.
Meu ranking de restaurantes em Fernando de Noronha
Depois de oito noites e diferentes experiências, meu ranking ficou assim:
- Cacimba
- Bar do Meio
- Varanda
- Beijupirá
- Xica da Silva
- Mavi – Casa Mediterrânea
O Benedita ficou fora do ranking pela experiência que tivemos durante a visita. Já o Gelato Paradiso entra como uma recomendação extra e quase obrigatória para quem gosta de sorvete.
De todos eles, o Cacimba foi o grande destaque da viagem. Foi o restaurante que melhor combinou ambiente, criatividade e, principalmente, sabor.
Ainda assim, a gastronomia de Fernando de Noronha mostrou que existe muito além dos restaurantes mais famosos. Cada estabelecimento possui uma proposta própria, e boa parte da diversão está justamente em conhecer diferentes lugares durante a viagem.
Se você tiver vários dias na ilha, minha sugestão é fazer exatamente isso: variar as escolhas. Reserve algumas noites para os restaurantes mais disputados, experimente diferentes propostas e, claro, deixe espaço para repetir aquele que conquistar seu paladar.
No meu caso, já sei onde pretendo jantar novamente quando voltar a Fernando de Noronha.
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