Mesmo com a queda na rentabilidade, o Lufthansa Group afirma que continua colhendo os primeiros resultados dos investimentos em novos produtos premium e na renovação da frota, enquanto mantém uma perspectiva positiva para 2026, apesar da volatilidade do mercado.
O Lufthansa Group registrou um segundo trimestre de resultados mistos em 2026. Embora a receita tenha alcançado um novo patamar e a demanda por viagens aéreas continue aquecida, especialmente nas cabines premium, o forte aumento dos custos com combustível reduziu significativamente a rentabilidade da companhia.
Entre abril e junho, o grupo faturou 11,1 bilhões de euros, alta de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o lucro operacional ajustado (Adjusted EBIT) caiu de 870 milhões para 383 milhões de euros, uma retração de 56%.
Segundo a empresa, o principal fator por trás da queda foi o aumento de aproximadamente 750 milhões de euros na conta do querosene de aviação, impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio. Greves de funcionários do Lufthansa Group também pressionaram os resultados e geraram impacto superior a 150 milhões de euros no trimestre.
Demanda segue forte, principalmente nas classes premium
Apesar do cenário mais desafiador, a procura por viagens permaneceu elevada ao longo do trimestre. O grupo registrou aumento na taxa de ocupação dos voos e melhora nas tarifas médias, com destaque para as rotas entre a Europa e a Ásia.
Segundo Carsten Spohr, CEO do Lufthansa Group, a disposição dos passageiros para pagar mais por produtos premium ajudou a compensar parte da pressão dos custos.
“A forte demanda global por viagens aéreas — principalmente nas classes premium — teve um impacto particularmente positivo. Nossos investimentos em produtos premium, como Allegris, Swiss Senses e a modernização do serviço FOX, começam a dar retorno.”
Spohr também afirmou que o plano de recuperação da marca Lufthansa já apresenta resultados em diferentes frentes, incluindo a renovação da frota, a expansão da Discover Airlines e da Lufthansa City Airlines e iniciativas voltadas para aumento da produtividade.
Lufthansa Cargo e Lufthansa Technik voltam a se destacar
Enquanto a divisão de transporte de passageiros enfrentou maior pressão, os negócios de carga e manutenção tiveram desempenho positivo.
A Lufthansa Cargo elevou seu lucro operacional ajustado para 116 milhões de euros, ante 73 milhões registrados um ano antes. A empresa atribui o resultado ao aumento da demanda global por transporte aéreo de cargas e à alta das tarifas praticadas no período.
Segundo o grupo, a receita por tonelada transportada cresceu 27% em relação ao segundo trimestre de 2025, favorecida pela continuidade das restrições logísticas provocadas pelo cenário geopolítico.
Já a Lufthansa Technik manteve o ritmo de crescimento. A divisão especializada em manutenção, reparo e revisão de aeronaves aumentou sua receita em 11%, alcançando 2,2 bilhões de euros. O lucro operacional ajustado chegou a 157 milhões de euros, praticamente estável em relação ao ano anterior.
Companhias do grupo ajustam capacidade
As companhias tradicionais do Lufthansa Group reduziram em cerca de 3% a oferta de assentos no trimestre, reflexo tanto das paralisações ocorridas em abril quanto da reorganização das operações de curto curso.
Mesmo com menos voos, a ocupação média subiu para 81,6%, enquanto a receita por assento aumentou 6,4%.
Na Eurowings, braço voltado ao mercado de lazer e voos ponto a ponto, a capacidade caiu 6%. Em meio aos conflitos no Oriente Médio, a companhia suspendeu temporariamente parte das operações para destinos no Golfo e reforçou sua oferta para cidades do Mediterrâneo, onde observou maior procura.
Leia também 🔗 Lufthansa passa a cobrar para trocar assento durante o check-in
Caixa permanece sólido
Mesmo diante da queda na rentabilidade, o Lufthansa Group encerrou o semestre com uma posição financeira considerada confortável.
Ao fim de junho, o grupo contava com 10,7 bilhões de euros em liquidez, praticamente o mesmo nível registrado no encerramento de 2025. A dívida financeira líquida, incluindo obrigações previdenciárias, permaneceu estável em 8,3 bilhões de euros.
Para Till Streichert, diretor financeiro da companhia, o resultado demonstra a capacidade do grupo de enfrentar um ambiente marcado por elevada volatilidade.
“O segundo trimestre foi caracterizado por custos excepcionalmente elevados de combustível e maior incerteza geopolítica. Ainda assim, graças à demanda robusta, ao aumento das tarifas e ao forte desempenho da Lufthansa Cargo, conseguimos manter um resultado positivo.”
Segundo o executivo, o grupo continuará apostando em disciplina de custos, otimização da malha e investimentos para reduzir parte da pressão provocada pela alta do combustível.
Lufthansa revisa projeções para 2026
Diante da volatilidade dos preços do querosene e da redução na antecedência das reservas, a Lufthansa decidiu adotar uma faixa de projeção para o restante do ano.
Agora, o grupo espera registrar um EBIT ajustado entre 1,7 bilhão e 2,2 bilhões de euros em 2026. Segundo o Lufthansa Group, o limite superior da estimativa ainda representa um resultado significativamente melhor que o obtido no ano anterior, mas a evolução dependerá principalmente dos custos de combustível, da estabilidade operacional e da demanda ao longo do segundo semestre.
Leia também 🔗 Lufthansa cria novas categorias de assentos e passa a cobrar por lugares na primeira e na última fileira
Para saber mais
Para ler outros artigos que publicamos recentemente sobre a Lufthansa, clique aqui.
Que tal nos acompanhar no Instagram para não perder nossas lives e também nos seguir em nosso canal no Telegram?
O Pontos pra Voar pode eventualmente receber comissões em compras realizadas através de alguns dos links e banners dispostos em nosso site, sem que isso tenha qualquer impacto no preço final do produto ou serviço por você adquirido.
Quando publicamos artigos patrocinados, estes são claramente identificados ao longo do texto. Para mais informações, consulte nossa Política de Privacidade.
Não usamos inteligência artificial na geração de conteúdo do Pontos pra Voar. Os conteúdos são autorais e produzidos pelos nossos editores.




