GOL e Avianca afirmaram que a alta do combustível deve começar a aparecer nas passagens aéreas ao longo dos próximos meses. Segundo o Grupo Abra, os reajustes podem chegar a até 20% até o fim do ano.
O Grupo Abra, controlador da GOL Linhas Aéreas e da Avianca, afirmou que o aumento recente no preço do combustível de aviação deve acabar chegando às tarifas aéreas nos próximos meses.
Segundo o CEO do grupo, Adrian Neuhauser, as companhias estimam repassar gradualmente o impacto da alta do querosene de aviação (QAV) aos passageiros até o fim de 2026.
A expectativa é de que as tarifas possam subir até 20% até dezembro.
Aumento do QAV pesa no caixa das companhias aéreas
A pressão sobre os custos acontece em meio à forte alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada principalmente pelas tensões recentes no Oriente Médio.
O querosene de aviação é um dos principais custos operacionais das companhias aéreas e sofre impacto direto tanto da cotação do petróleo quanto da variação do dólar.
Segundo Adrian Neuhauser, o grupo trabalha atualmente com um cenário em que o aumento do combustível será integralmente incorporado às tarifas até o fim do ano.
“Esperamos atingir 100% de repasse da alta do combustível às tarifas até o fim do ano, mas, na média do período, a recuperação deve ficar em torno de 60%”, afirmou o executivo durante teleconferência com analistas.
Alta do combustível ainda não apareceu totalmente nas passagens
O CEO explicou que o consumidor ainda não sentiu totalmente esse aumento porque muitas passagens foram vendidas antes da disparada recente do combustível.
Companhias aéreas normalmente comercializam bilhetes com meses de antecedência, o que cria um intervalo entre o aumento dos custos operacionais e o eventual reajuste das tarifas.
Além disso, as empresas seguem acompanhando o impacto que passagens mais caras podem ter na demanda e na ocupação dos voos.
Grupo utiliza hedge para reduzir impacto
Segundo o Grupo Abra, parte da pressão financeira vem sendo amenizada por operações de hedge, mecanismo utilizado pelas companhias para tentar reduzir a exposição às oscilações do combustível.
Mas isso ainda está longe de resolver o problema.
Neuhauser afirmou que a estimativa leva em consideração o consumo mensal de aproximadamente 70 milhões de galões de combustível ao longo de dez meses, considerando a diferença entre os preços anteriores e os valores atuais do QAV.
Rotas domésticas podem sentir mais
O aumento dos custos tende a afetar especialmente voos domésticos e regionais, onde as margens operacionais costumam ser menores.
Além do combustível, as companhias aéreas seguem enfrentando pressão cambial, custos financeiros elevados e um ambiente operacional ainda bastante sensível no mercado latino-americano.
Nos últimos meses, várias empresas do setor passaram a revisar malhas, ajustar capacidade e rever planos de expansão diante do aumento recente dos custos operacionais.
Tarifas aéreas já vinham subindo
Os comentários do Grupo Abra acontecem poucos dias após a ANAC divulgar os dados tarifários de abril.
Segundo a agência, a tarifa aérea média doméstica no Brasil chegou a R$ 669,41 no período, alta de 9% em relação a abril de 2025.
Já o preço médio do QAV registrou aumento ainda mais forte, avançando mais de 40% na comparação anual.\
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