A Embraer pode estar próxima de conquistar um espaço importante em um dos maiores mercados de aviação do mundo: a fabricante brasileira iniciou conversas com a IndiGo, maior companhia aérea da Índia, para uma possível encomenda de jatos da família E2.
Dezenas de aeronaves Embraer
As tratativas ainda estão em estágio inicial e não há contrato fechado. Segundo informações da Bloomberg, a companhia indiana estaria avaliando a aquisição de algumas dezenas de aeronaves para substituir parte de sua frota de turboélices ATR 72.
Se o negócio avançar, será uma oportunidade relevante para a Embraer ampliar sua presença no mercado indiano, onde a fabricante ainda não conseguiu vender nenhum jato da família E2.
IndiGo avalia substituir seus ATR 72
A companhia conta atualmente com 44 ATR 72, utilizados principalmente em rotas regionais e de menor demanda. A eventual chegada dos Embraer E2 permitiria à IndiGo substituir os turboélices por aeronaves a jato com maior capacidade e alcance, além de ampliar as possibilidades de operação em sua malha doméstica.
A família E2 inclui os modelos E190-E2 e E195-E2, com capacidade para aproximadamente 100 a 150 passageiros, dependendo da configuração. O E195-E2, maior integrante da família, é especialmente direcionado a mercados nos quais uma aeronave de corredor único maior poderia ser pouco adequada à demanda.
Ainda não foi divulgado qual versão do E2 estaria sendo considerada pela IndiGo, nem quantas aeronaves poderiam fazer parte de uma eventual encomenda junto à Embraer.
Uma decisão fora do padrão da IndiGo
Uma compra de jatos E2 da Embraer representaria uma mudança importante na estratégia de frota da IndiGo.
A companhia opera uma das maiores frotas de Airbus do mundo, com cerca de 380 aeronaves em serviço, entre A320 e A321. A aérea indiana também possui uma carteira de pedidos de mais de 800 aeronaves da família A320neo, além de encomendas do Airbus A350-900 para sua expansão no mercado internacional de longa distância.
Por isso, a entrada do E2 na frota seria uma decisão diferente do padrão adotado pela empresa até agora.
A alternativa natural dentro do portfólio da Airbus seria o A220, que ocupa uma faixa de capacidade semelhante à dos jatos menores da Embraer. Uma eventual escolha pelo E2, portanto, colocaria a fabricante brasileira em uma posição inédita dentro da frota da IndiGo.
Embraer ainda busca espaço na Índia
A Índia é um mercado especialmente importante para a Embraer, tanto pelo tamanho da população quanto pelo crescimento acelerado da aviação comercial no país.
Apesar disso, os jatos comerciais da fabricante brasileira ainda têm presença limitada por lá. A Star Air é atualmente uma das companhias indianas que operam aeronaves da Embraer, utilizando jatos E175 de primeira geração por meio de leasing e com planos de incorporar aeronaves maiores.
Uma encomenda da IndiGo seria, portanto, um salto de escala considerável.
O negócio também poderia fortalecer os planos da Embraer de ampliar sua presença industrial na Índia. A fabricante já afirmou que uma eventual linha de montagem final do E175 no país dependeria de uma demanda de pelo menos 200 aeronaves. O grupo indiano Adani já demonstrou interesse em apoiar uma iniciativa desse tipo caso exista uma carteira de pedidos suficiente, mas não há acordo anunciado até o momento.
E2 pode ganhar uma grande vitrine na Ásia
Para a Embraer, conquistar a IndiGo teria importância que vai além do tamanho do eventual pedido.
A companhia indiana é uma das maiores empresas aéreas do mundo em número de passageiros e possui uma estratégia de crescimento bastante agressiva. Colocar o E2 em uma frota desse porte poderia dar ao modelo uma exposição importante no mercado asiático e abrir espaço para novas negociações na região.
As conversas também acontecem enquanto a Embraer tenta ampliar sua atuação na Índia em outras frentes. A fabricante participa da campanha para fornecer o KC-390 Millennium às Forças Armadas indianas e busca estabelecer relações mais profundas com empresas locais.
Por enquanto, porém, é preciso tratar a possível encomenda da IndiGo como uma negociação em andamento, e não como um pedido confirmado. O número de aeronaves, o modelo escolhido e até mesmo a conclusão do acordo ainda dependem da evolução das conversas entre as duas empresas.