Estudos apontam que as turbulências aéreas severas em céu claro (CAT) devem triplicar até o ano de 2050, impulsionadas pelas mudanças climáticas. O fenômeno, que já aumentou 55% desde 1979, traz desafios de segurança para passageiros e custos extras para as companhias aéreas. Para mitigar esses impactos, cientistas testam “flaps” inteligentes e o uso de Inteligência Artificial para estabilizar aeronaves em tempo real.
Diante das ações humanas e as mudanças climáticas, as turbulências vividas por passageiros, pilotos e comissários de bordo devem triplicar até o ano de 2050 – com impacto significativo no leste da Ásia e no Atlântico Norte.
Um estudo conduzido pelo professor de ciência atmosférica, Paul Williams, da Universidade de Reading, no Reino Unido, mostrou que as turbulências aéreas severas em céu claro (CAT), ou seja, aquelas turbulências fortes que acontecem de uma hora para outra, que não são detectadas pelo olho humano e nem pelos satélites, aumentaram 55% desde 1979 – ano em que começaram os registros mais modernos.
Medo dos passageiros e problemas para as companhias aéreas
Em 2024, um voo da Singapore Airlines sofreu uma forte turbulência enquanto sobrevoava Mianmar, deixando várias pessoas feridas. O mesmo episódio aconteceu em um voo da United Airlines enquanto passava pelas Filipinas, onde uma das comissárias foi arremessada contra o teto, fraturando um braço.
Turbulências aéreas desse nível caracterizam um dos principais medos das pessoas ao voar e o fato das turbulências ganharem um ritmo ainda maior de crescimento até 2050, pode colaborar ainda mais com esse cenário de receios. A projeção não é apenas ruim para o passageiro, como também para as companhias aéreas, já que as aeronaves podem sofrer danos e desgastes, além de voos mais longos e gasto de combustível na tentativa de evitá-las.
Ainda que elas não causem mortes e nem consigam derrubar um avião, esse crescimento de movimentos caóticos na atmosfera faz com que engenheiros e cientistas busquem por soluções para mitigar os impactos para todos.
Tecnologia para detectar turbulências aéreas e melhorar voos
Uma tecnologia que vem chamando a atenção neste sentido é da austríaca Turbulence Solutions, que criou “flaps” inteligentes capazes de se adaptar instantaneamente às mudanças no fluxo de ar. A promessa é de reduzir em mais de 80% o impacto sentido a bordo. No entanto, a aplicação comercial ainda deve demorar, já que os testes atuais se restringem a aeronaves de pequeno porte.
Paralelamente, a Inteligência Artificial (IA) surge como uma ferramenta poderosa para prever e amenizar os efeitos das turbulências aéreas. Especialistas em mecânica dos fluidos acreditam que a natureza caótica e imprevisível da turbulência é o cenário perfeito para o uso de machine learning. Testes recentes demonstraram que a IA consegue aprender, por tentativa e erro, a controlar o fluxo de ar em asas simuladas, ajudando a estabilizar a aeronave.
Outras tecnologias em estudo envolvem o uso de sensores de infrassom, que detectariam a turbulência de céu claro a grandes distâncias, e o sistema conhecido como Lidar, focado no mapeamento 3D do ar ao redor do avião. Mas nem tudo é só engenharia.
A meteorologia também apresenta progressos. Williams nota uma evolução significativa: a precisão na previsão de turbulência saltou de 60% há duas décadas para quase 75% atualmente. O grande obstáculo para melhorar ainda mais esse índice é o custo e a escassez de dados coletados diretamente pelos aviões.
Hoje, as informações de vento dependem de balões meteorológicos e sensores em cerca de 100 mil voos diários. Para otimizar isso, iniciativas como o Turbulence Aware, da IATA, trabalham para que as companhias aéreas compartilhem dados de turbulências aéreas em tempo real.
Mas trabalhar em tudo isso leva tempo – e dinheiro. Até lá, passageiros e companhias aéreas seguem voando com a melhor recomendação que existe hoje: manter os cintos afivelados.
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