A inteligência artificial tornou-se uma grande aliada para organizar uma viagem, mas apresenta limitações e erros que podem custar caro. Para extrair o melhor da ferramenta e escapar desses erros, neste artigo vamos te mostrar – por experiência própria – como usá-la com sabedoria.
Eu adoro fazer roteiros de viagem e confesso que a inteligência artificial tem me ajudado muito nisso. Mas, depois de testar dezenas de roteiros pelo Brasil e pelo mundo, percebi uma coisa importante: a IA é excelente pesquisando informações, mas ainda tem dificuldade para entender como uma viagem realmente acontece na prática.
Isso significa que ela não serve para montar roteiros? Muito pelo contrário. Na minha opinião, ela pode ser uma das melhores ferramentas para planejar uma viagem, desde que você saiba exatamente como usá-la. E é justamente isso que veremos neste artigo.
A IA é rápida, mas ainda não consegue viajar no seu lugar
A inteligência artificial consegue montar um roteiro de viagem em segundos, mas algumas limitações aparecem com frequência. Entre eles:
- Ela coloca cidades demais no roteiro. Muitas vezes, a IA tenta encaixar o maior número possível de destinos, o que acaba transformando a viagem em uma sequência de check-ins, check-outs e deslocamentos.
- Costuma indicar praticamente o mesmo roteiro para todo mundo. Sem informações específicas, ela tende a repetir os destinos mais famosos e na mesma ordem.
- Simplifica a logística dos deslocamentos. A IA considera apenas o tempo da viagem, mas esquece o check-out, o trajeto até a estação ou aeroporto, o embarque, a retirada de bagagem, etc.
- Nem sempre leva a época da viagem em consideração. Um roteiro perfeito para julho pode não funcionar em dezembro. Clima, duração dos dias, horários de funcionamento e até eventos locais mudam completamente a experiência.
- Ela assume que todos os ingressos estarão disponíveis. Muitos museus, monumentos e atrações exigem reserva antecipada, especialmente na alta temporada. Em geral, a IA só faz esse alerta se você perguntar especificamente sobre isso.
E muitas vezes isso acontece por conta de outro detalhe importante. Por mais inteligente que seja, a IA não conhece o viajante.
- Ela não conhece o seu estilo de viagem. A ferramenta não sabe se você gosta mais de gastronomia do que de museus, se prefere caminhar bastante, fazer compras, viajar com calma ou acordar cedo todos os dias.
- Ela não considera seu preparo físico, nem seu ritmo. Dois viajantes podem visitar a mesma cidade de formas completamente diferentes. Enquanto um consegue caminhar 20 quilômetros por dia, outro prefere fazer pausas, aproveitar cafés e conhecer menos atrações.
Então, afinal, como a IA realmente ajuda?
Depois de usar inteligência artificial para pesquisar destinos praticamente todos os dias, cheguei a uma conclusão: na maioria das vezes, o problema não está na ferramenta, e sim na pergunta.
Existe uma enorme diferença entre pedir “monte um roteiro de 15 dias pela Europa” e explicar que você está viajando em casal, gosta de gastronomia, prefere viajar de trem, não quer trocar de hotel mais de três vezes, faz questão de caminhar sem pressa e não liga tanto para visitar todos os museus famosos.
Quanto mais contexto você oferece, melhor costuma ser o resultado. Isso, inclusive, é uma das principais recomendações das próprias empresas que desenvolvem essas ferramentas, como OpenAI, Google e Anthropic: fornecer contexto, objetivos e preferências torna as respostas muito mais úteis e personalizadas.
Outra estratégia que passei a usar bastante é pedir para a IA revisar um roteiro, e não necessariamente criar um do zero. Em vez de perguntar “para onde eu devo ir?”, costumo perguntar “onde vou perder mais tempo?”, “esse deslocamento faz sentido?” ou “qual cidade poderia sair do roteiro sem prejudicar a viagem?”.
Também gosto de usá-la para comparar opções específicas. Perguntas como “vale mais a pena dormir em Verona ou fazer um bate-volta saindo de Milão?” ou “é melhor fazer esse trecho de trem ou de avião?” costumam gerar respostas muito mais úteis do que pedidos genéricos para montar uma viagem inteira.
Conclusão: a IA é uma excelente “assistente”
Eu realmente acredito que a inteligência artificial mudou a forma como planejamos viagens. Ela pesquisa muito mais rápido do que qualquer pessoa, organiza informações em segundos e até apresenta ideias que talvez nunca passassem pela nossa cabeça.
Mas, depois de fazer essa pesquisa inicial, eu ainda volto ao velho hábito de abrir o Google, acessar os sites oficiais, blogs e portais de viagem e turismo e conferir se tudo faz sentido. Também gosto de procurar relatos de outros viajantes para entender como aquele roteiro funciona na prática.
Na minha experiência, esse é o melhor dos mundos. A IA economiza tempo, organiza ideias e ajuda a enxergar possibilidades que talvez passassem despercebidas. Já a pesquisa tradicional continua sendo essencial para confirmar informações e adaptar o roteiro ao seu estilo de viagem.
Afinal, quem vai viver cada momento da viagem é você – e nenhum algoritmo conhece melhor o seu jeito de explorar o mundo do que você mesmo.
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