O Brasil agora tem dois restaurantes com três estrelas Michelin, um feito inédito na história da gastronomia nacional e também na América Latina. O reconhecimento concedido ao Tuju e ao Evvai reforça a relevância da cozinha brasileira no cenário internacional e coloca o país definitivamente no radar global da alta gastronomia.
Quando o assunto é gastronomia, o Brasil sempre teve bons motivos para se orgulhar. Ainda assim, conquistas internacionais desse porte ampliam a visibilidade do país e valorizam chefs, ingredientes e técnicas locais.
Restaurantes brasileiros recebem três estrelas Michelin
Durante o evento do Guia Michelin, realizado no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, os restaurantes Tuju e Evvai, ambos localizados em São Paulo, receberam a distinção máxima da publicação. Trata-se de um marco histórico para o setor, já que nunca antes dois restaurantes brasileiros haviam alcançado simultaneamente as três estrelas.
Vale lembrar que a avaliação do Guia Michelin vai muito além do sabor dos pratos. A experiência completa é analisada com rigor, incluindo ambiente, serviço, apresentação e consistência culinária. Cada detalhe conta, do atendimento às louças utilizadas. Com propostas distintas, mas igualmente sofisticadas, Tuju e Evvai demonstram que existem diferentes caminhos para alcançar a excelência. Em comum, ambos oferecem experiências gastronômicas completas, com menus degustação que evoluem constantemente e refletem um trabalho técnico refinado.
Tuju aposta em sazonalidade extrema e experiência sensorial
No Tuju, comandado pelo chef Ivan Ralston, a experiência começa antes mesmo do primeiro prato chegar à mesa. Reinaugurado em 2024, no Jardim Paulistano, o restaurante ocupa um imóvel discreto em uma rua sem saída. A proposta é clara: criar um ambiente silencioso, controlado e totalmente focado na jornada gastronômica. O espaço conta com apenas nove mesas, o que reforça o caráter exclusivo da experiência.
Um dos diferenciais do Tuju é possuir um instituto de pesquisa interno, algo inédito entre restaurantes brasileiros. Essa estrutura sustenta o conceito central da casa: a sazonalidade extrema. Em vez de um cardápio fixo, o restaurante trabalha com temporadas que acompanham os ciclos naturais, como Umidade, Chuva, Ventania e Seca. A temporada atual, chamada Chuva, utiliza ingredientes que atingem seu auge nesse período no Sudeste, entre eles cordeiro, tomate e manga.
A jornada começa no pátio interno, sob uma jabuticabeira, onde o bar liderado por Rachel Louise serve coquetéis autorais, com ou sem álcool. Esses drinks funcionam como uma introdução à proposta criativa da casa. Na sequência, o cliente passa por uma adega de dois andares com mais de dois mil rótulos antes de chegar ao salão principal. Ali, a cozinha aberta permite acompanhar o preparo dos pratos, reforçando a transparência e o cuidado técnico do serviço.
O menu evolui gradualmente, começando com pequenas criações técnicas e avançando para pratos que destacam ingredientes em seu melhor momento. O protagonismo vegetal aparece com frequência, mas peixes, frutos do mar e carnes também surgem com precisão. Entre uma etapa e outra, o restaurante inclui pausas sensoriais que ajudam a marcar o ritmo da experiência. Ao final, o serviço se desloca para o terraço, onde café e petit fours encerram a refeição de forma mais leve.

Fonte: Divulgação Instagram Tuju
O menu degustação atual custa, em média, cerca de R$ 1.500 por pessoa, sem bebidas e com taxa de serviço cobrada à parte. A casa também oferece harmonização em três formatos distintos. A primeira opção, chamada Descobertas, prioriza produtos menos óbvios. Já a harmonização Clássica reúne rótulos mais raros e safras antigas. Por fim, existe uma versão não alcoólica, pensada para acompanhar a experiência gastronômica com a mesma sofisticação.
Evvai transforma imigração italiana em narrativa gastronômica
Se o Tuju se inspira nos ciclos da natureza, o Evvai constrói sua identidade a partir da história. Sob o comando do chef Luiz Filipe Souza, o restaurante desenvolveu o conceito Oriundi, que revisita a imigração italiana no Brasil e a transforma em uma cozinha autoral, técnica e contemporânea. A proposta combina memória cultural, técnica culinária e criatividade, resultando em uma experiência gastronômica profundamente conectada às origens do país.

Fonte: Divulgação Instagram Evvai
Aberto há quase uma década, o Evvai construiu sua reputação de forma consistente. A evolução no Guia Michelin reflete essa trajetória. O restaurante conquistou a primeira estrela em 2018, avançou para a segunda em 2024 e agora alcança a terceira, consolidando-se, ao lado do Tuju, como uma das casas mais premiadas da América Latina.
O novo reconhecimento coincidiu com o lançamento de um menu inédito, criado pelo chef Luiz Filipe Souza em parceria com a chef confeiteira Bianca Mirabili. Batizado de Oriundi OR 2026.1, o menu organiza a experiência em quatro movimentos — Despertar, Expressão, Profundidade e Epílogo — que funcionam como capítulos de uma narrativa gastronômica.
O jantar começa com o movimento Despertar, que apresenta pratos delicados e equilibrados. Entre eles, aparecem a ostra com cambuci e pepino, que destaca frescor e acidez, a bruschetta de atum bluefin, que substitui o pão por um merengue salgado, e a lula com tutano defumado e caviar, que introduz contrastes de textura e sabor. Na sequência, a etapa Expressão aprofunda o conceito Oriundi e apresenta criações que combinam técnica e identidade brasileira.
Nesse momento, a pupunha assume o papel de massa em um rigatoni vegetal com açaí e amêndoas, enquanto a vieira surge em diferentes texturas em um dos pratos mais emblemáticos da casa, a Bomba de vieira, revisitada a cada temporada. Ainda nessa etapa, surgem releituras autorais de clássicos brasileiros, como o bobó com carabineiro e açafrão, além de criações inovadoras, como o cappuccino de bacalhau com tucupi.
No movimento Profundidade, os sabores ganham mais intensidade e complexidade. A mandioca aparece como base da panificação, acompanhada de manteiga de maracujá e mel de abelha nativa, enquanto pratos como o robalo no vapor com sururu e a galinha com quiabo exploram técnica e memória afetiva ao mesmo tempo. A refeição segue com o tortellini de castanha-do-pará e cogumelos e a picanha de beterraba e brássicas, que reforçam a identidade brasileira dentro de uma execução clássica.
Por fim, o Epílogo encerra a experiência com sobremesas que mantêm coerência com a narrativa do menu. O iogurte com mel de abelha emerina traz frescor e acidez, além de carregar uma história de preservação da espécie. Já releituras afetivas, como o papaia com cassis, aparecem com execução precisa e elegante. Para finalizar, o prato chamado theobromas brasileiros reúne cacau, cupuaçu e macambo, valorizando ingredientes nativos e reforçando o vínculo entre gastronomia e biodiversidade.
Assim como o Tuju, o Evvai funciona exclusivamente com menu degustação e exige reserva antecipada. O valor atual da experiência gira em torno de R$ 1.650 por pessoa, com harmonização cobrada à parte e acréscimo de 15% referente à taxa de serviço.
O que significa ter três estrelas Michelin
Receber três estrelas Michelin representa o nível máximo de reconhecimento gastronômico internacional. Segundo a classificação do guia, essa distinção indica um restaurante que vale uma viagem especial. Na prática, isso significa manter excelência técnica consistente, criatividade culinária elevada e uma experiência completa, capaz de surpreender o cliente do início ao fim.
Para o Brasil, a conquista de três estrelas Michelin reforça a maturidade da gastronomia nacional e amplia a visibilidade do país no turismo de experiência. Esse tipo de reconhecimento costuma atrair viajantes internacionais interessados em destinos gastronômicos e experiências exclusivas, uma tendência que cresce de forma consistente no turismo global.
Para saber mais
Para ler outras notícias que publicamos recentemente, clique aqui.
Que tal nos acompanhar no Instagram para não perder nossas lives e também nos seguir em nosso canal no Telegram?
O Pontos pra Voar pode eventualmente receber comissões em compras realizadas através de alguns dos links e banners dispostos em nosso site, sem que isso tenha qualquer impacto no preço final do produto ou serviço por você adquirido.
Quando publicamos artigos patrocinados, estes são claramente identificados ao longo do texto. Para mais informações, consulte nossa Política de Privacidade.
Não usamos inteligência artificial na geração de conteúdo do Pontos pra Voar. Os conteúdos são autorais e produzidos pelos nossos editores.




