A LATAM comunicou à VOEPASS (antiga Passaredo) que não renovará o acordo de parceria que vence em agosto de 2025. Essa decisão interromperá a venda de passagens da VoePass pela LATAM, o que representa um golpe significativo na estabilidade financeira da companhia regional, especialmente após o pedido de proteção judicial feito em fevereiro deste ano.
A parceria entre LATAM e VOEPASS funciona por meio de um acordo de codeshare, permitindo que a LATAM venda passagens para voos operados pela VoePass, a maioria deles com exclusividade.
Essa estratégia garantia à VOEPASS acesso a um mercado mais amplo, alavancando sua receita por meio da visibilidade e confiabilidade associadas à marca LATAM.
Por outro lado, a parceria garantia à LATAM o acesso aos slots da VOEPASS no Aeroporto de Congonhas e maior capilaridade para a sua malha, com o acesso a aeroportos regionais onde a LATAM não opera diretamente com sua frota.
Com o término desse acordo, a VOEPASS perde um canal significativo de vendas, o que agrava ainda mais a sua situação financeira.
Para uma companhia que acumula uma dívida de R$ 215 milhões e que recentemente entrou com pedido de proteção judicial contra arresto de aeronaves e cobranças de credores, a perda dessa parceria representa um desafio imenso para a sua sobrevivência.
Impactos Financeiros e Operacionais
A situação da VOEPASS já era delicada antes do anúncio. Em fevereiro, a empresa entrou com um pedido de proteção judicial na Vara de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP) em Ribeirão Preto, buscando evitar uma recuperação judicial formal.
A medida foi necessária após um acidente trágico em Vinhedo envolvendo uma de suas sete aeronaves, o que abalou ainda mais a confiança do mercado e afetou a operação da empresa.
Historicamente, a VOEPASS enfrentou outras dificuldades financeiras. A empresa passou por um processo de recuperação judicial entre 2012 e 2017.
Em 2019, a VOEPASS expandiu suas operações para 28 destinos ao incorporar a MAP Linhas Aéreas, porém a pandemia e os desafios econômicos subsequentes impactaram severamente suas finanças.
A Relevância do Codeshare no Setor Aéreo
No setor aéreo, acordos de codeshare são cruciais para empresas regionais, permitindo-lhes ampliar sua rede de distribuição e acessar um público maior sem precisar expandir significativamente suas próprias operações.
A VoePass, ao operar em destinos menores e regionais, beneficiava-se da parceria com a LATAM para alcançar clientes que compram passagens em voos de longo curso com conexões em cidades atendidas por ela.
Com o fim dessa parceria, a VOEPASS precisará repensar sua estratégia comercial e operacional para sobreviver. Isso inclui explorar novas parcerias ou até mesmo adotar um modelo de vendas diretas mais robusto, utilizando plataformas digitais para atrair e reter clientes.
Consequências para o Setor e para os Consumidores
A saída da VOEPASS da rede de vendas da LATAM deve afetar o setor aéreo regional no Brasil, reduzindo ainda mais a concorrência em rotas menos exploradas.
Isso pode resultar em tarifas mais altas para os consumidores em alguns destinos regionais, visto que a LATAM não pretende assumir essas operações diretamente.
Além disso, a diminuição de concorrência pode levar a uma redução na frequência de voos em determinadas rotas, impactando a conectividade de regiões remotas com os grandes centros urbanos.
O Futuro da VOEPASS
Sem a parceria com a LATAM, a VOEPASS enfrentará um futuro incerto.
A empresa terá que reestruturar sua operação e buscar alternativas para sobreviver em um mercado competitivo e desafiador.
A opção mais viável pode ser a busca de parcerias com outras companhias aéreas, como a Azul, que também opera rotas regionais no Brasil.
Outra possibilidade seria focar em nichos específicos do mercado, como voos charter ou contratos corporativos, para manter seu fluxo de receita.
No entanto, a situação financeira da empresa exigirá agilidade e criatividade para evitar uma possível falência.
Tome Nota
O fim da parceria entre LATAM e VOEPASS ressalta a vulnerabilidade das companhias aéreas regionais no Brasil, que dependem de acordos comerciais com grandes companhias aéreas para se manterem competitivas.
O fim desse acordo marca um momento crítico para a VOEPASS, que precisará tomar decisões estratégicas rápidas para garantir a sua continuidade.
Para o setor aéreo brasileiro, essa mudança pode alterar o cenário competitivo em várias rotas regionais, afetando consumidores e a conectividade de pequenas cidades.
Resta observar como a VOEPASS reagirá a esse desafio e quais serão os próximos passos na sua trajetória de sobrevivência e adaptação ao mercado.
Para Saber Mais
Clique aqui para ler outras notícias no nosso site.
Que tal nos acompanhar no Instagram para não perder nossas lives e também nos seguir em nosso canal no Telegram?
O Pontos pra Voar pode eventualmente receber comissões em compras realizadas através de alguns dos links e banners dispostos em nosso site, sem que isso tenha qualquer impacto no preço final do produto ou serviço por você adquirido.
Quando publicamos artigos patrocinados, estes são claramente identificados ao longo do texto. Para mais informações, consulte nossa Política de Privacidade.
Não usamos inteligência artificial na geração de conteúdo do Pontos pra Voar. Os conteúdos são autorais e produzidos pelos nossos editores.