A política que limitou a operação do Santos Dumont ajudou a ampliar os voos internacionais no Galeão. De acordo com dados apresentados pela concessionária RIOgaleão, o fluxo internacional no sistema aeroportuário carioca cresceu 59% entre 2023 e 2025, acima da média brasileira de 36%, após a reorganização das operações entre os aeroportos fluminenses.
O que está por trás desse crescimento
A discussão envolve a chamada coordenação aeroportuária do Rio de Janeiro, isto é, a divisão das operações entre o Aeroporto Santos Dumont e o Aeroporto Internacional Tom Jobim. Em painel no TurisMall 2026, o diretor comercial do RIOgaleão, Leandro Dantas, afirmou que a política pública adotada em 2023 reorganizou o fluxo de voos na cidade e permitiu que cada aeroporto atuasse com mais foco em sua vocação operacional. Segundo ele, parte do fluxo doméstico foi redirecionada ao Galeão depois da limitação imposta ao Santos Dumont.
Essa leitura conversa com o histórico recente da regulação. O Ministério de Portos e Aeroportos informou, em 2025, que o Santos Dumont passou a operar com limitação de capacidade desde o início de 2024, em 6,5 milhões de passageiros por ano, dentro do arranjo de repactuação do Galeão. Depois, o termo de autocomposição estabeleceu um regime de transição para flexibilizar esse teto: 8 milhões de passageiros em 2025, 9 milhões em 2026, 10 milhões em 2027 e, a partir de 2028, capacidade operacional livre, observada a regulação vigente.
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Os números que o Galeão apresentou
Segundo o executivo do RIOgaleão, o crescimento do tráfego total no sistema aeroportuário do Rio foi de 15% no período analisado, contra média nacional de 8%. Já no internacional, o salto foi ainda mais forte: 59% entre 2023 e 2025, enquanto a média do Brasil ficou em 36%. Ele também afirmou que o sistema aeroportuário carioca saiu de 19,3 milhões de passageiros em 2023 para 24 milhões ao fim de 2025.
Além disso, o Galeão diz que a reorganização aumentou a conectividade em 70% e fez a conexão entre voos domésticos e internacionais crescer 151%. Na prática, isso significa que passageiros de outras regiões do país passaram a ter mais possibilidade de usar o Galeão como ponto de embarque para destinos no exterior, em vez de depender de conexão por outros hubs brasileiros.
Por que essa mudança interessa ao turismo
Do ponto de vista do turismo, conectividade é quase tudo. Um destino internacionalmente competitivo precisa oferecer acesso simples, com boa malha e menor fricção possível para o passageiro. O próprio Leandro Dantas argumentou que, quando o viajante estrangeiro precisa fazer conexões adicionais fora do caminho natural, a atratividade do destino cai. Essa avaliação faz sentido especialmente para o Rio, que vende um produto turístico forte, mas depende de acesso aéreo eficiente para disputar espaço com Caribe, México e outros destinos de lazer nas Américas.
O governo federal também tem defendido essa linha. Ao anunciar a repactuação do Galeão, o Ministério de Portos e Aeroportos afirmou que o objetivo do novo modelo é garantir eficiência, ampliar a capacidade operacional e fortalecer a conectividade doméstica e internacional da cidade. O edital de venda assistida, com lance mínimo de R$ 932 milhões e contribuição variável de 20% sobre o faturamento bruto até 2039, foi desenhado justamente para tentar dar mais previsibilidade ao ativo e atrair um operador capaz de desenvolver o aeroporto como hub internacional competitivo.
O que aconteceu com Santos Dumont e Galeão
O rearranjo entre os dois aeroportos não eliminou a importância do Santos Dumont. O que mudou foi o equilíbrio. O Galeão sempre teve estrutura mais aderente a voos de longo curso e conexões internacionais, enquanto o Santos Dumont, pela localização central e limitações físicas, funciona melhor para uma operação mais concentrada em ponte aérea e mercado doméstico de alta densidade. A política adotada buscou reduzir a canibalização entre os terminais e distribuir melhor a demanda. Essa é uma inferência sustentada pelas falas do RIOgaleão e pelos documentos oficiais sobre a limitação e a transição regulatória.
Em 2025, o próprio ministério informou que, desde a adoção das restrições no Santos Dumont, o número de usuários do aeroporto caiu fortemente, enquanto o Galeão registrou aumento de 83% em 2024 sobre o ano anterior. Esse dado ajuda a entender por que a concessionária defende a medida com tanta ênfase: do ponto de vista do Galeão, a limitação no aeroporto central reorganizou a demanda e devolveu massa crítica ao terminal internacional.
O que isso significa para o passageiro
Para quem voa, o impacto mais importante é a possibilidade de encontrar mais opções de conexão internacional saindo do Rio. Quando um aeroporto ganha escala e concentra melhor os fluxos, ele tende a atrair mais companhias, rotas e frequências. Isso não significa, por si só, passagem mais barata ou operação perfeita. Ainda assim, melhora a lógica de rede e pode fortalecer o Galeão como porta de entrada e saída internacional. Essa conclusão é analítica, mas está alinhada com os dados apresentados pelo aeroporto e com a estratégia pública descrita pelo governo.
Para o leitor do Pontos pra Voar, há um ponto adicional. Um Galeão mais forte pode significar mais oportunidades de voos diretos, mais combinações para emissões com milhas e menor dependência de conexão por São Paulo em algumas rotas.
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