Flybondi afirma que encontrou inconsistências financeiras após auditoria interna, promete ampliar gradualmente a operação e enfrenta ações judiciais de funcionários por salários atrasados.
A Flybondi voltou a se pronunciar publicamente após quase dois meses de silêncio e divulgou um duro comunicado contra sua antiga administração. A atual controladora da companhia, COC Global Enterprise, afirma que uma auditoria interna identificou informações financeiras falsas e irregularidades na gestão anterior, enquanto funcionários da Flybondi denunciam atrasos salariais e pedem a intervenção das autoridades argentinas.
Nova controladora fala em fraude e empresa à beira da falência
Segundo a COC Global, desde que assumiu o controle da Flybondi, em junho de 2025, já foram investidos US$ 70 milhões para manter a companhia em funcionamento.
A empresa afirma que encontrou uma situação muito mais grave do que imaginava.
“Desde sua incorporação como acionista principal da Flybondi em junho de 2025, a COC Global investiu US$ 70 milhões para manter a operação, que naquele momento estava em situação terminal e a apenas três dias da falência”, informou a companhia.
Apesar do aporte financeiro, a controladora afirma que os recursos não produziram o efeito esperado devido à atuação da antiga diretoria.
“Esse significativo aporte de recursos foi frustrado por uma estratégia operacional repleta de irregularidades, com características fraudulentas, desenhada por integrantes da administração que foram afastados de seus cargos em junho.”
Segundo a empresa, esse cenário levou à demissão do então CEO Mauricio Sana e de outros executivos, além da paralisação parcial das operações para reorganizar a companhia.
Auditoria encontra divergências financeiras
A Flybondi informou que está conduzindo uma auditoria interna, com conclusão prevista para 31 de julho, e afirma que já foram identificadas “divergências substanciais” entre os dados financeiros apresentados pela antiga administração e a situação real da empresa.
De acordo com a companhia, o plano de negócios dos últimos anos teria sido construído com base em informações falsas, prejudicando acionistas, funcionários e passageiros.
A empresa informou ainda que estuda medidas judiciais contra os antigos responsáveis pela gestão.
Operação começa a ser retomada
Após semanas de forte redução nas operações, a Flybondi retomou parte de seus voos na última terça-feira (14).
Segundo a empresa, dez voos foram realizados utilizando duas aeronaves.
A nova administração informou que também revisou a venda de passagens para adequá-la à capacidade operacional disponível e anunciou que pretende incorporar mais seis aeronaves, elevando gradualmente a frota ativa para oito aviões nesta primeira fase de recuperação.
A COC Global também anunciou a contratação de Esteban Tossutti, um dos integrantes da equipe que participou da criação da Flybondi, para atuar como assessor da companhia.
Em comunicado separado, a controladora afirmou que pretende transformar a empresa em “uma referência da logística regional”.
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Funcionários denunciam salários atrasados
Enquanto a empresa apresenta seu plano de recuperação, a crise trabalhista continua.
A Associação dos Trabalhadores Aeronáuticos da Flybondi (ATAF) informou que apresentou uma denúncia à Secretaria do Trabalho da Argentina alegando o descumprimento de acordos trabalhistas e o atraso no pagamento de salários.
Segundo o sindicato, a empresa deixou de pagar uma verba equivalente a 70% dos salários prevista em um acordo de suspensão temporária de contratos, além de não realizar contribuições para o plano de saúde dos funcionários.
A entidade afirma que muitos empregados ficaram sem remuneração e classificou a situação financeira da companhia como crítica.
Os representantes dos trabalhadores também responsabilizaram a antiga administração, liderada pelo ex-CEO Mauricio Sana, pela deterioração financeira da empresa, acusando os antigos executivos de negligência e abandono da companhia.
Companhia promete reconstruir a empresa
Em seu comunicado, a Flybondi reconheceu o comprometimento dos funcionários durante a crise e afirmou que muitos deles já alertavam a antiga administração sobre os problemas enfrentados pela empresa.
Segundo a companhia, o objetivo agora é trabalhar em conjunto com autoridades, credores, empregados e passageiros para restabelecer a estabilidade operacional e financeira.
“A COC reafirma sua vocação de recuperar o funcionamento normal da companhia como uma ferramenta central na estratégia de desenvolvimento de um grupo líder do mercado logístico regional.”
A empresa não informou um prazo para normalizar totalmente as operações, mas afirma que a retomada ocorrerá de forma gradual, acompanhando a ampliação da frota e a reorganização financeira.
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