A GOL passou a figurar oficialmente na lista de companhias com slots atribuídos em Lisboa para a temporada de verão IATA 2026, após ter conseguido aprovações iniciais no Porto, embora ainda sem confirmação de voos entre Brasil e Portugal.
A GOL Linhas Aéreas segue avançando em direção ao mercado europeu ao receber autorizações para operar no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa — um dos mais congestionados da Europa. A concessão de slots na capital portuguesa ocorre após a companhia já ter garantido, anteriormente, horários no Aeroporto do Porto, e reforça a sinalização de que a retomada de voos transatlânticos está, de fato, no radar da empresa.
Slots em Lisboa
A autorização mais recente aparece na atualização de slots divulgada pela NAV Portugal, estatal responsável pela navegação aérea no país, referente à temporada de verão IATA 2026, que vai de 29 de março a 24 de outubro do próximo ano. Nessa rodada, a GOL solicitou um total de 378 slots no aeroporto lisboeta e teve 84 concedidos.
Embora o número possa parecer expressivo à primeira vista, ele ainda impõe restrições operacionais relevantes. Caso essa quantidade seja mantida até o início da temporada, a companhia teria margem para operar, no máximo, dois voos semanais ao longo de todo o período, ou uma frequência maior caso as operações sejam concentradas apenas em parte da temporada. Como ocorre tradicionalmente em aeroportos saturados, o cenário ainda pode sofrer ajustes até a confirmação final dos horários.
Lisboa, Porto e a disputa por capacidade
A trajetória da GOL em busca por slots Lisboa não foi linear. No final de 2025, a companhia havia solicitado slots não apenas para Lisboa, mas também para Londres e Porto. Na ocasião, apenas o aeroporto do Porto concedeu autorizações, refletindo o nível extremo de saturação da infraestrutura lisboeta.
O Aeroporto Humberto Delgado opera há anos próximo do limite de sua capacidade, o que torna a entrada de novas companhias ou a ampliação de operações existentes um processo altamente competitivo. Nesse contexto, mesmo uma concessão parcial de slots já é vista como um fato importante para qualquer companhia interessada no mercado português.
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Frota: o papel dos A330-900 do Grupo Abra
Paralelamente ao avanço regulatório, a GOL também avalia sua capacidade operacional para sustentar voos de longo curso. A companhia demonstrou interesse em utilizar cinco aeronaves Airbus A330neo que foram solicitadas pelo Grupo Abra — holding que controla a GOL — junto à Avolon, uma das maiores empresas globais de leasing de aeronaves.
Esses aviões não devem sair diretamente da linha de produção da Airbus. A expectativa é que sejam unidades já em operação por outros clientes (provavelmente da Azul), uma vez que o cronograma de entrega da fabricante europeia não comporta novos aviões no curto prazo devido à extensa carteira de encomendas. A eventual incorporação desses A330neo seria fundamental para viabilizar rotas transatlânticas, já que, até o momento, a GOL opera exclusivamente aeronaves Boeing 737 MAX 8.
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Mercado em análise
Apesar das autorizações obtidas, a GOL ainda não confirmou oficialmente o lançamento de voos diretos entre o Brasil e Lisboa, nem detalhou quais cidades brasileiras poderiam ser atendidas. A companhia tem reiterado que qualquer decisão dependerá de avaliações comerciais, operacionais e, sobretudo, da disponibilidade efetiva de frota.
Na semana passada, publicamos aqui no Pontos Pra Voar que a GOL também havia solicitado slots em Nova York (JFK) e Paris (CDG).
No meio desse processo, a empresa chegou a sondar seus clientes por meio de comunicações diretas, buscando medir a demanda por possíveis voos para a Europa — um indicativo de que os estudos de mercado estão em andamento, mas ainda longe de uma decisão definitiva.
O que muda no cenário Brasil–Portugal
Se confirmadas, as operações da GOL em Lisboa — ou até mesmo no Porto — trariam uma mudança interessante no equilíbrio do mercado aéreo entre Brasil e Portugal, hoje dominado por poucas companhias e altamente sensível à disponibilidade de slots. Por ora, o que existe é um avanço regulatório importante, mas ainda insuficiente para cravar o retorno da GOL ao Atlântico Norte.
A temporada de verão IATA 2026 será decisiva para entender se esses slots sairão do papel e se a companhia conseguirá alinhar frota, demanda e viabilidade econômica para transformar autorizações em voos efetivamente operados. Até lá, Lisboa permanece como uma oportunidade aberta, e altamente disputada.
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