O governo de Portugal decidiu suspender temporariamente a aplicação do novo sistema europeu de controle de entradas e saídas no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, após semanas de congestionamento extremo na imigração e fila chegando a até 9 horas.
Caos na imigração em Lisboa
O Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, principal porta de entrada de turistas em Portugal, tornou-se nos últimos meses um símbolo de desorganização no controle de fronteiras da Europa. A implementação do novo sistema europeu de entrada e saída, criado para modernizar a imigração de viajantes de fora do Espaço Schengen, acabou produzindo o efeito oposto na capital portuguesa: filas intermináveis, desgaste físico dos passageiros e constrangimento internacional. Em casos extremos, o tempo de espera chegou a 9 horas, forçando o governo português a suspender temporariamente o sistema na capital.
Eu mesma passei pela imigração do Aeroporto de Lisboa no fim de setembro e enfrentei uma fila de 6 horas e 45 minutos até concluir o controle de passaportes. Ao longo de todo esse período, não havia qualquer estrutura básica disponível aos passageiros, como fornecimento de água, acesso à banheiros. Embora existisse uma fila destinada ao atendimento prioritário, não havia agentes realizando esse tipo de atendimento, o que manteve idosos, gestantes, pessoas com deficiência e viajantes com crianças de colo na mesma fila regular. A falta de suporte mínimo agravou ainda mais uma situação já marcada pelo desgaste físico e emocional.

Fila de prioridades na imigração em Lisboa fora de funcionamento | Créditos: Fernanda Inocente
Ao redor, a cena se repetia: viajantes sentados no chão, outros deitados, passageiros que chegaram às vias de fato na disputa por posições na fila, todos tentando entender como um dos principais aeroportos da Europa havia chegado àquele ponto. Semanas depois, filas ainda maiores — de até 9 horas — levariam o governo português a suspender o novo sistema europeu de controle de fronteiras.
O que é o EES e por que ele causou filas tão longas
A suspensão do sistema, conhecida como Entry Exit System (EES), terá duração inicial de três meses e foi anunciada após sucessivas reclamações de viajantes.
O EES começou a ser implementado em outubro em 29 países europeus e substitui o tradicional carimbo manual no passaporte por registros eletrônicos centralizados. O sistema exige a coleta de dados biométricos — como fotografia facial e impressões digitais — de cidadãos de fora da União Europeia, incluindo brasileiros, além de viajantes da Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein.
Na teoria, o sistema deveria agilizar o processo. Na prática, cada atendimento passou a levar mais tempo. Em Lisboa, a situação se agravou a partir de dezembro, quando entrou em operação a segunda fase do sistema, ampliando a coleta de dados biométricos. O aeroporto, porém, não estava preparado para absorver esse aumento de complexidade, nem em termos de tecnologia nem de pessoal.
Falta de agentes e limitações operacionais
A própria ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, reconheceu falhas técnicas e humanas no processo. Atualmente, o aeroporto conta com cerca de 236 agentes de controle de passaportes, número abaixo do ideal estimado pelo governo, que seria de aproximadamente 270 profissionais.
Além disso, esses agentes precisam de formação específica para atuar no controle de passaportes, certificação que depende de treinamento organizado pela Frontex, a agência europeia de fronteiras. Essa exigência limita a possibilidade de reforços imediatos, mesmo em situações de crise.
Suspensão, reforço humano e novos investimentos
Com a suspensão do EES em Lisboa, o governo português anunciou um conjunto de medidas para mitigar o problema. Está previsto um aumento de cerca de 30% no número de equipamentos eletrônicos e físicos de controle de fronteira, dentro dos limites da atual infraestrutura do aeroporto.
Também foi autorizado o reforço dos meios humanos, com a atuação da Guarda Nacional Republicana no controle de fronteiras, permitindo ampliar rapidamente o número de agentes em serviço.
Paralelamente, Portugal aprovou um investimento de 7,5 milhões de euros — cerca de R$ 49 milhões — para modernizar os sistemas de entrada e saída no Espaço Schengen até 2028. Entre as ações previstas está o aumento do número de portas eletrônicas no Aeroporto de Lisboa, que passará de 16 para 24.
Vai viajar para Portugal?
Embora a suspensão do sistema traga alívio temporário, o episódio expôs fragilidades importantes na principal porta de entrada aérea do país. Para quem já tem viagem marcada para Portugal, especialmente com chegada por Lisboa, a recomendação segue sendo a mesma: preparar-se para fila na imigração, possíveis atrasos e acompanhar de perto eventuais atualizações operacionais.
Já para quem ainda não comprou passagem, vale considerar alternativas. Entrar na Europa por Porto ou até por Madri, onde o funcionamento do controle de imigração tem ocorrido de forma mais regular, pode reduzir o estresse das longas esperas na imigração.
O caso de Lisboa também serve de alerta para outros aeroportos europeus que ainda estão em processo de adaptação ao EES. Apesar de prometer mais segurança e controle no longo prazo, o sistema mostrou que exige planejamento, infraestrutura adequada e pessoal suficiente para funcionar sem comprometer de forma severa a experiência dos passageiros.
Vale ainda uma reflexão final. Um voo entre Campinas e Lisboa leva, em média, 9 horas e 45 minutos. Nos relatos mais recentes, esse foi praticamente o mesmo tempo que passageiros passaram aguardando na imigração do Aeroporto de Lisboa. A diferença é que, em vez de sentados, alimentados e com acesso a banheiros, tiveram de enfrentar a espera em pé, sem água e sem qualquer suporte básico. É um contraste difícil de aceitar e de justificar em um dos principais aeroportos da Europa.
Para Saber Mais
Para ler outras notícias que publicamos recentemente no Pontos pra Voar, clique aqui.
Que tal nos acompanhar no Instagram para não perder nossas lives e também nos seguir em nosso canal no Telegram?
O Pontos pra Voar pode eventualmente receber comissões em compras realizadas através de alguns dos links e banners dispostos em nosso site, sem que isso tenha qualquer impacto no preço final do produto ou serviço por você adquirido.
Quando publicamos artigos patrocinados, estes são claramente identificados ao longo do texto. Para mais informações, consulte nossa Política de Privacidade.
Não usamos inteligência artificial na geração de conteúdo do Pontos pra Voar. Os conteúdos são autorais e produzidos pelos nossos editores.





