Após uma disputa intensa no viva-voz, a Aena venceu o leilão de repactuação do Aeroporto Internacional do Galeão e passa a controlar integralmente o terminal até 2039. O resultado encerra um impasse contratual iniciado na pandemia e reposiciona um dos principais aeroportos do país no mapa das concessões.
Aena vence leilão do Galeão por R$ 2,9 bilhões
A Aena arrematou o Aeroporto Internacional do Galeão com uma proposta de R$ 2,9 bilhões, em leilão realizado na B3, em São Paulo. O valor representa um ágio de 210,88% sobre o mínimo exigido no edital, fixado em R$ 932 milhões.
A disputa foi uma das mais intensas dos últimos anos no setor aeroportuário. O lance inicial da Aena foi de R$ 1,5 bilhão, com ágio de cerca de 60%, empatando com a Zurich Airport na primeira rodada. A definição ficou para o viva-voz, que contou com 26 lances e elevou rapidamente os valores até o desfecho.
A Zurich chegou a ofertar R$ 2,8 bilhões, enquanto a atual concessionária, a RIOgaleão apresentou proposta final de R$ 1,88 bilhão.
Contrato até 2039
O modelo da concessão prevê que a Aena pague uma contribuição variável de 20% da receita bruta até 2039. O formato substitui a lógica anterior de outorga fixa e elimina a exigência de novos grandes investimentos, como a construção de uma terceira pista.
A empresa assume o controle integral do ativo, com a saída da Infraero, que detinha 49% da concessão. Os demais 51% pertenciam a grupos ligados à Vinci Airports e à Changi Airports International, que deixam a operação.
O leilão foi estruturado após um processo de repactuação conduzido pelo Tribunal de Contas da União, com o objetivo de reequilibrar o contrato e evitar a devolução do aeroporto ao governo.
Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho o leilão representa um momento histórico para o Brasil.
“A gente tem aqui hoje um resultado muito positivo para a aviação nacional e para o país como um todo. Este leilão é uma demonstração clara de que as diferenças constroem as convergências e aqui tudo funcionou a favor do Galeão. É por isso que precisamos fortalecer, cada vez mais, a construção coletiva”, ressaltou. Costa Filho
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Reestruturação evita devolução e redesenha concessão

Foto: Vosmar Rosa | MPor
A atual concessionária chegou a manifestar, em 2022, a intenção de devolver o ativo, diante da frustração de demanda em relação às projeções originais, cenário agravado pela pandemia.
A solução encontrada envolveu um novo leilão no modelo de venda assistida, permitindo a continuidade da operação sob novas condições contratuais. O acordo incorporou cláusulas mais alinhadas aos contratos recentes do setor.
A concessão original do Galeão havia sido leiloada em 2013 por R$ 19 bilhões, com ágio próximo de 300%. Desde então, mudanças no cenário econômico e no tráfego aéreo impactaram a viabilidade do contrato original.
“A meta é ampliar o movimento do aeroporto, saindo de cerca de 18 milhões para algo próximo de 30 milhões de passageiros por ano.”
— Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos
Aena assume protagonismo no Brasil
Com o Galeão, a Aena passa a administrar 18 aeroportos no país e amplia sua relevância no mercado brasileiro. A empresa já opera terminais importantes como o aeroporto de Congonhas, de Recife e de Maceió, além de ativos em outras regiões.
No Brasil desde 2020, a companhia construiu sua presença em etapas, começando por aeroportos regionais e avançando para ativos mais relevantes. Em 2023, assumiu Congonhas e outros terminais estratégicos.
Globalmente, a Aena é a maior operadora aeroportuária do mundo, com mais de 80 aeroportos sob gestão e cerca de 450 milhões de passageiros transportados em 2025, sendo aproximadamente 45 milhões no Brasil.
“Estamos muito orgulhosos e contentes. Esperamos ficar muitos anos aqui no Brasil.” — Emilio Rotondo, diretor-geral da Aena Internacional
Galeão volta a crescer e ganha novo papel
O Galeão movimentou cerca de 18 milhões de passageiros em 2025, com forte recuperação após a redistribuição de voos no Rio de Janeiro. Desde 2023, o governo federal passou a restringir operações no Aeroporto Santos Dumont, direcionando parte da demanda para o terminal internacional.
Com isso, o aeroporto registrou crescimento expressivo e voltou ao radar das grandes operadoras. A expectativa do governo é ampliar ainda mais o fluxo nos próximos anos.
O leilão também é visto como um teste para novos processos de repactuação no setor. O próximo caso em análise envolve o Aeroporto Internacional de Brasília, atualmente operado pela Inframerica.
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