O mercado Brasil–Índia pode ganhar novas combinações de voos e conexões com a expansão da parceria entre o Lufthansa Group e a Air India, que integra hubs europeus à malha doméstica indiana.
O Lufthansa Group e a Air India assinaram um Memorando de Entendimentos (MoU) que estabelece as bases para um futuro acordo comercial conjunto (Joint Business Agreement – JBA) entre as companhias do grupo europeu e as aéreas indianas Air India e Air India Express. O anúncio ocorre após a conclusão do acordo de livre comércio entre Índia e União Europeia, que tende a intensificar o fluxo de negócios e viagens entre as duas regiões.
O documento foi assinado por Carsten Spohr, CEO do grupo alemão, e Campbell Wilson, CEO da Air India. A implementação efetiva do acordo dependerá de negociações comerciais adicionais e de aprovações regulatórias e antitruste.
Comércio bilateral de €180 bilhões
A iniciativa é anunciada após a conclusão de um acordo de livre comércio entre a Índia — atualmente o país mais populoso do mundo — e a União Europeia. Segundo dados citados pelas companhias, os Estados-membros da UE são os principais parceiros comerciais da Índia no comércio de bens, com fluxo bilateral anual estimado em €180 bilhões.
Em conjunto, Índia e UE representam cerca de um quarto da população mundial e proporção semelhante do PIB global. O acordo comercial cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com potencial de intensificar fluxos empresariais, turísticos e corporativos — fatores que tendem a impactar diretamente a demanda por transporte aéreo de longo curso.
Mercado indiano ganha peso
Para o Lufthansa Group, as rotas entre seus mercados domésticos europeus e a Índia já configuram o segundo mercado premium mais relevante em voos intercontinentais, atrás apenas dos Estados Unidos. A companhia aponta que o crescimento da classe média indiana e o aumento da renda disponível impulsionam a demanda por viagens internacionais.
A Air India, por sua vez, passa por um processo de modernização de frota e reformulação de produto, buscando recuperar participação no mercado global de longo curso. A ampliação da cooperação com o grupo europeu ocorre nesse momento de reestruturação e expansão da malha internacional da companhia indiana.
Acordo beneficia passageiros brasileiros
Atualmente, o Lufthansa Group e a Air India mantêm acordos de codeshare que abrangem 146 rotas em 22 países. A rede combinada soma 15 destinos na Índia e 27 na Europa, formando uma das malhas mais amplas no eixo entre os dois mercados.
Na operação direta entre Europa e Índia, a Lufthansa concentra sua oferta a partir de Frankfurt — com voos para Delhi, Mumbai, Chennai, Bangalore e Hyderabad — e de Munique, com ligações para Delhi, Mumbai e Bangalore. A SWISS conecta Zurique a Delhi e Mumbai, enquanto a ITA Airways opera entre Roma e Delhi. A Austrian Airlines também participa da cooperação ampliada.
Para o mercado brasileiro, essa estrutura amplia as alternativas de acesso à Índia. A Lufthansa voa de São Paulo para Frankfurt e Munique, além de operar Rio de Janeiro–Frankfurt. A SWISS liga São Paulo a Zurique, e a ITA Airways atende São Paulo e Rio de Janeiro a partir de Roma. Esses hubs europeus funcionam como pontos de conexão para a malha conjunta em direção a diferentes destinos indianos.
No sentido inverso, a Air India opera voos de longo curso partindo de Delhi para Frankfurt, Zurique, Viena e Milão, além de manter a rota Mumbai–Frankfurt.
A cooperação entre as companhias remonta a duas décadas. O codeshare bilateral foi iniciado em 2004, e a Air India passou a integrar a Star Alliance em 2014, aliança global cofundada pela Lufthansa.
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Etapas do acordo
O memorando prevê, em uma primeira fase, a ampliação e comercialização conjunta de voos entre os mercados domésticos do Lufthansa Group — Alemanha, Áustria, Suíça, Bélgica e Itália — e a Índia. Em uma segunda etapa, a cooperação poderá ser estendida a outros países da União Europeia e ao subcontinente indiano.
Entre os pontos em análise estão maior coordenação de horários e malhas em mercados selecionados, integração mais estreita de programas de fidelidade, alinhamento de atividades comerciais e de marketing e melhorias nos processos aeroportuários, com o objetivo de reduzir tempos de conexão e tornar as viagens mais integradas.
O escopo final do acordo, incluindo rotas e mercados específicos, será definido após a formalização do Joint Business Agreement e dependerá de aprovação das autoridades regulatórias competentes.
Impacto potencial
Se aprovado, o acordo poderá ampliar a coordenação tarifária e operacional entre as companhias em rotas Europa–Índia, modelo já adotado em outros mercados de longo curso. Em um cenário de crescimento acelerado da aviação indiana e intensificação das relações comerciais com a UE, a parceria tende a fortalecer a posição das duas empresas no tráfego intercontinental entre as regiões.
Ao mesmo tempo, o avanço dependerá da avaliação de órgãos antitruste, que tradicionalmente analisam acordos desse tipo sob a ótica da concorrência em mercados de alta densidade e relevância estratégica.
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