Apesar do tom negativo do lucro, o desempenho operacional da TAP em 2025 foi mais sólido do que o número final sugere, e o cenário já começa a mudar com a forte alta recente do combustível.
Um ajuste contábil ligado a mudanças no imposto corporativo em Portugal foi suficiente para distorcer completamente o resultado final da TAP em 2025 — um ano que, operacionalmente, mostrou sinais de estabilidade e até avanço em alguns indicadores-chave.
Lucro despenca, mas não por fraqueza operacional
A TAP Air Portugal encerrou 2025 com lucro líquido de apenas €4,1 milhões, uma queda de 92% em relação aos €53,7 milhões registrados no ano anterior.
O número, à primeira vista, sugere uma deterioração relevante do negócio. Mas o motivo está longe de uma piora na operação do dia a dia.
O principal fator foi um impacto extraordinário no quarto trimestre: uma baixa contábil de €42 milhões relacionada à reavaliação de ativos fiscais diferidos. Em termos simples, a companhia precisou ajustar o valor de créditos tributários futuros após a decisão do governo português de reduzir o imposto corporativo de 20% para 17% até 2028.
Sem esse efeito, o resultado teria sido significativamente mais robusto e alinhado com a evolução operacional observada ao longo do ano.
Receita cresce, margens melhoram e demanda segue firme
Apesar do lucro pressionado, os principais indicadores operacionais caminharam em direção oposta.
A receita total avançou 1,2%, chegando a €4,31 bilhões, enquanto o número de passageiros cresceu 1,6%, ultrapassando 16 milhões no ano.
O EBITDA — métrica importante para avaliar a geração de caixa — subiu 4,4%, atingindo €725,8 milhões. A margem EBITDA também evoluiu, passando de 16,3% para 16,8%.
Ou seja, a TAP conseguiu extrair mais rentabilidade da operação, mesmo em um cenário ainda pressionado por custos.
Custos sob controle, com ajuda do combustível
Os custos operacionais cresceram 1,8%, totalizando €4,02 bilhões. O aumento foi puxado principalmente por despesas com pessoal e depreciação, dois componentes que vêm pressionando companhias aéreas globalmente.
Por outro lado, houve alívio na linha de combustível, que ajudou a compensar parte dessas pressões em 2025.
Esse equilíbrio é relevante: indica que a companhia conseguiu preservar margem mesmo sem um crescimento expressivo de receita, algo que nem todas as europeias têm conseguido no mesmo período.
Quarto trimestre revela o peso do ajuste
O impacto contábil ficou concentrado no último trimestre, quando a TAP registrou prejuízo de €51 milhões.
Esse número, isoladamente, distorce a leitura do ano e explica praticamente toda a diferença entre o lucro de 2024 e o de 2025.
Na fim das contas, foi um evento pontual, mas com efeito direto no resultado final. O CEO, Luis Rodrigues, destacou que os resultados operacionais foram consistentes, apesar do impacto extraordinário.
Segundo ele, a TAP apresentou margens resilientes, fortaleceu sua posição financeira e contou com contribuição relevante da área de manutenção, além de uma demanda estável ao longo da rede, especialmente no segundo semestre.
Reservas em alta e perspectiva de repasse de custos
Para 2026, a companhia sinaliza um cenário relativamente positivo. A TAP reporta um ritmo forte de reservas, o que deve sustentar taxas de ocupação elevadas e receitas unitárias mais robustas.
O ponto é que o principal custo da indústria já mudou de patamar. Nas últimas semanas, o combustível de aviação saltou de cerca de US$ 85–90 por barril para algo entre US$ 150 e US$ 200. Diante da situação, o Governo de Portugal aprovou, na última segunda-feira (06) a alteração temporária do regime do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) para prolongar o alívio fiscal nos combustíveis.
Assim assim, o repasse para tarifas deve deixar de ser apenas uma possibilidade, se tornando uma necessidade. Esse movimento é consistente com o que vem sendo observado no setor: companhias tentando preservar margem via pricing, em vez de depender exclusivamente de volume.
Um resultado “ruim” que não é exatamente ruim
O balanço da TAP em 2025 exige uma leitura menos superficial.
O lucro líquido chama atenção, negativamente, mas é consequência direta de um ajuste contábil provocado por mudança tributária, e não de deterioração do negócio.
Nos fundamentos, a companhia mostrou:
- crescimento de receita
- melhora de margem
- demanda consistente
- controle relativo de custos
Para um grupo ainda em processo de privatização, isso tem peso relevante.
O ponto de atenção segue sendo externo: custos, combustível e eventuais instabilidades geopolíticas, fatores que continuam fora do controle da empresa, mas com impacto direto no resultado.
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