A Air France está celebrando os 50 anos do primeiro voo comercial do Concorde com o lançamento de um documentário inédito e de uma coleção especial de produtos que resgata a memória do avião supersônico. As comemorações marcam meio século da estreia comercial da aeronave, ocorrida em janeiro de 1976, e revive um dos capítulos mais emblemáticos da aviação civil.
Cinquenta anos após o início de suas operações comerciais, o Concorde segue como um dos capítulos mais ambiciosos e controversos da história da aviação civil. Fruto da cooperação entre França e Reino Unido, o avião supersônico redefiniu limites tecnológicos, encurtou distâncias no eixo transatlântico e deixou um legado industrial e cultural que continua a influenciar a engenharia aeronáutica até hoje.
Concorde: o início da aviação comercial supersônica

Créditos: Air France
O primeiro voo comercial do Concorde operado pela Air France ocorreu em 21 de janeiro de 1976, ligando Paris a Dakar e ao Rio de Janeiro. Ainda naquele ano, a companhia inaugurou a rota Paris–Washington e, em 1977, iniciou a operação regular entre Paris e Nova York.
Esses voos, realizados em aproximadamente 3 horas e 30 minutos, permitiam atravessar o Atlântico mais rápido do que o movimento aparente do sol, viabilizando, em alguns casos, viagens de ida e volta no mesmo dia para compromissos de negócios, um diferencial inédito à época.
A operação estabeleceu o avião como um símbolo de desempenho extremo, mas também como um produto altamente especializado e restrito a um público específico.
Um projeto binacional marcado por inovação e desafios
O Concorde nasceu de um acordo firmado em 1962 entre França e Reino Unido, envolvendo a Sud-Aviation (posteriormente Aérospatiale e Airbus) e a British Aircraft Corporation. O programa mobilizou cerca de 600 empresas dos dois países e enfrentou desafios técnicos, industriais e culturais, desde diferenças de sistemas de medida até métodos de engenharia distintos.
O primeiro voo do protótipo ocorreu em março de 1969, e a quebra da barreira do som aconteceu meses depois. O nome da aeronave também gerou controvérsia, e chegou a ser alvo de debate político e simbólico. Sugerido por Charles de Gaulle em 1963, “Concorde” só foi oficialmente adotado após a inclusão da letra “e” pelo então ministro britânico da Tecnologia, Anthony Wedgwood Benn, simbolizando “Excellence, Entente, Europe”.
Desempenho técnico e complexidade operacional
Com 62 metros de comprimento, 26 metros de envergadura e equipado com quatro motores Rolls-Royce/Snecma Olympus 593 com pós-combustão, o Concorde operava a velocidades superiores a Mach 2, batendo a marca de 2.179 km/h, duas vezes a velocidade do som, e voando entre 16 mil e 18 mil metros de altitude.
O Concorde funcionou como um verdadeiro laboratório tecnológico. Entre as inovações incorporadas ao projeto estavam comandos de voo elétricos, freios de disco de carbono, sistemas avançados de piloto automático e um para-brisa reforçado com uma camada de ouro transparente, destinado a proteger contra o calor gerado pelo atrito em velocidades supersônicas. Diversas soluções técnicas desenvolvidas para o programa acabaram incorporadas à aviação comercial convencional nas décadas seguintes.
O cockpit refletia essa complexidade: mais de 200 instrumentos, cerca de 200 luzes indicadoras, aproximadamente 100 interruptores, e dezenas de sistemas redundantes, exigindo treinamento específico e alto nível de coordenação entre tripulação e equipes de solo.
Design, experiência a bordo e identidade visual
Além da performance, o Concorde também se tornou um ícone de design e experiência do passageiro. A Air France investiu em interiores assinados por nomes consagrados. O primeiro projeto de cabine, em 1976, foi desenvolvido por Raymond Loewy, com tons claros e utensílios exclusivos. Na década seguinte, Pierre Gautier-Delaye introduziu novas paletas de cores.
Em 1994, a designer Andrée Putman reformulou completamente o interior, adotando uma estética mais contemporânea, com carpete geométrico em preto e branco e novos conceitos de mobiliário.
Uniformes exclusivos para a tripulação, assinados por casas como Jean Patou e Nina Ricci, reforçaram o caráter distintivo da operação e ajudaram a consolidar o Concorde como um símbolo de sofisticação e inovação.
Voos históricos e experiências únicas

Entre os episódios mais emblemáticos está o voo especial realizado em 11 de agosto de 1999, quando um Concorde fretado pela Air France acompanhou a trajetória de um eclipse solar total sobre o Atlântico. Graças à sua velocidade, foi a única aeronave civil capaz de permanecer por mais de cinco minutos na sombra da Lua, proporcionando aos passageiros uma experiência inédita.
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O fim da operação e o legado industrial
A operação do Concorde pela Air France foi encerrada em 31 de maio de 2003, após 27 anos de serviço. O pouso final em Paris-Charles de Gaulle foi acompanhado por milhares de espectadores e marcou o fim de uma era.
Apesar disso, o programa Concorde é hoje reconhecido como um dos investimentos industriais mais relevantes do século 20, responsável por impulsionar a indústria aeronáutica europeia e estabelecer padrões tecnológicos ainda presentes na aviação moderna. Atualmente, várias aeronaves estão preservadas em museus e aeroportos. Em maio de 2025, o protótipo Concorde 001 recebeu status oficial de monumento histórico na França.
Cinco décadas após seu primeiro voo comercial, o Concorde segue como referência de audácia tecnológica, cooperação internacional e limites extremos da aviação civil.
Documentário revisita a operação do Concorde a partir de seus protagonistas
Intitulado “Concorde Air France: They Made the Legend Fly”, ou “Eles Fizeram a Lenda Voar” em tradução livre, o documentário foi lançado no canal oficial da Air France no YouTube e tem duração aproximada de 40 minutos. A produção é apresentada por Benjamin Smith, CEO do grupo Air France-KLM e presidente do Conselho de Administração da companhia, e foi gravada no Museu do Ar e do Espaço, em Le Bourget, onde uma das aeronaves está preservada.
O filme se apoia em depoimentos de cinco funcionários da Air France que atuaram diretamente na operação do Concorde e seguem em atividade: um piloto, dois comissários de bordo, um mecânico e um agente responsável pelo lounge dedicado ao voo supersônico. Relatos pessoais, fotografias privadas e imagens de arquivo pouco conhecidas ajudam a reconstruir o funcionamento cotidiano de uma operação considerada uma das mais complexas da aviação comercial.
Assista ao documentário abaixo.
Coleção comemorativa transforma o legado em memorabilia
Além do documentário, a Air France anunciou o lançamento da coleção Air France Legend – Concorde, desenvolvida para marcar os 50 anos do primeiro voo comercial da aeronave. A linha presta homenagem ao avião supersônico e à visão pioneira que marcou a história da companhia e da aviação francesa.
A coleção inclui dez itens, entre eles modelos em miniatura do Concorde, lenços e echarpes de seda, cadernos e chaveiros. Alguns produtos terão edição limitada. As vendas estão previstas para começar gradualmente a partir de fevereiro de 2026, por meio do site da Air France.
Segundo a companhia, a identidade visual da coleção foi inspirada nas linhas do avião e em conceitos como movimento, velocidade e precisão, combinando referências históricas com uma abordagem contemporânea.
Air France Legend e a construção de uma narrativa histórica
A coleção Concorde integra a linha Air France Legend, que reúne objetos e narrativas ligadas a diferentes períodos da companhia. A proposta é revisitar quase nove décadas de história, conectando marcos tecnológicos, episódios simbólicos e elementos culturais que ajudaram a moldar a identidade da marca.
Com isso, a Air France amplia o repertório de iniciativas voltadas à preservação de seu patrimônio histórico, ao mesmo tempo em que reforça a importância do Concorde como um dos símbolos mais duradouros da aviação do século 20.
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