Os novos jatos da Embraer que começarão a chegar à LATAM Brasil ainda neste ano terão um papel mais amplo do que apenas abrir novos mercados. Segundo o CEO do grupo, Roberto Alvo, as aeronaves serão utilizadas tanto para inaugurar destinos inéditos quanto para aumentar frequências em rotas já existentes, permitindo maior flexibilidade operacional em um momento marcado por custos elevados, atrasos na entrega de aeronaves e desafios na cadeia global de suprimentos.
Os primeiros aviões Embraer adquiridos pela LATAM devem começar a ser entregues à companhia ainda no segundo semestre de 2026. Embora o anúncio da compra tenha sido inicialmente associado à abertura de novos destinos regionais no Brasil, o plano da empresa vai além da expansão da malha.
Em entrevista à CNN Brasil durante a reunião anual da IATA, realizada no Rio de Janeiro, o CEO do Grupo LATAM, Roberto Alvo, explicou que os novos jatos da Embraer terão papel estratégico tanto na abertura de mercados quanto no reforço de frequências em rotas já operadas pela companhia.
Segundo o executivo, a LATAM pretende anunciar em julho as primeiras cidades que passarão a receber operações com os novos Embraer.
LATAM quer mais frequências e maior flexibilidade
A principal vantagem apontada por Alvo é a possibilidade de adequar melhor a oferta à demanda.
Hoje, diversas rotas da companhia são operadas exclusivamente com aeronaves Airbus da família A320, que possuem capacidade significativamente superior à dos Embraer E2. Com os novos jatos, a LATAM poderá adicionar voos em horários específicos sem a necessidade de utilizar aeronaves maiores.
“Se você tem uma rota que hoje conta com quatro frequências ao dia operadas por jatos maiores, nós vamos poder incrementar uma ou duas frequências adicionais com os Embraers naqueles segmentos do dia onde a demanda não é tão grande”, afirmou Roberto Alvo à CNN.
Na prática, isso significa que os Embraer poderão ser utilizados tanto para abrir novos mercados quanto para complementar operações já consolidadas, aumentando a oferta de horários e melhorando a conectividade.
Petróleo caro e busca por eficiência
Durante a entrevista, Alvo também comentou os impactos do cenário geopolítico sobre a aviação global.
Segundo ele, o aumento do preço do combustível continua sendo um dos principais desafios para as companhias aéreas. Atualmente, o querosene de aviação representa cerca de 30% dos custos operacionais da LATAM.
O executivo afirmou que o aumento das tarifas observado em diversos mercados é consequência direta da elevação dos custos do setor.
“O que acontece na aviação é o mesmo que ocorre em qualquer outro setor: quando você tem um custo de insumo mais alto, a tendência natural é o lucro cair.”
Apesar do cenário, Alvo disse manter uma visão otimista para os próximos meses, citando a resiliência da demanda por viagens na América Latina.
Problemas com motores continuam afetando a operação
Outro tema abordado foi a crise global na cadeia de fornecimento da indústria aeronáutica.
Segundo o CEO, a LATAM possui atualmente cerca de 12 aeronaves paradas aguardando manutenção ou componentes para motores.
Além disso, atrasos nas entregas de novos aviões continuam dificultando os planos de crescimento da companhia.
“O que acontece, na prática, é que a companhia não consegue crescer na velocidade que gostaria.”
O problema afeta companhias aéreas em todo o mundo e tem sido apontado pela IATA como um dos principais gargalos do setor desde a pandemia.
Congonhas será prioridade
Questionado sobre os planos para o Aeroporto de Congonhas, Alvo confirmou que a LATAM pretende utilizar o Airbus A321 no terminal assim que as obras de adequação da infraestrutura forem concluídas.
O modelo possui capacidade superior aos atuais A320 e permitirá aumentar a oferta de assentos sem necessidade de novos slots.
Já sobre uma eventual internacionalização de Congonhas, o executivo demonstrou cautela.
Segundo ele, o aeroporto tem potencial maior para continuar concentrado no mercado doméstico, embora a LATAM acompanhe eventuais mudanças regulatórias.
Judicialização e reforma tributária preocupam o setor
Entre os temas regulatórios, Alvo destacou dois pontos que continuam gerando preocupação para as companhias aéreas: a judicialização e a reforma tributária brasileira.
Para o executivo, o volume de processos enfrentado pelas empresas aéreas no Brasil não encontra paralelo em outros mercados.
“Temos um volume de litígios que não se vê em nenhum outro país.”
Ele também demonstrou preocupação com os possíveis impactos do IVA sobre as passagens aéreas internacionais.
Segundo Alvo, uma carga tributária excessiva pode reduzir a demanda e limitar o crescimento da aviação.
China segue fora do radar
Por fim, o CEO foi questionado sobre a possibilidade de a LATAM operar voos para a China.
Apesar da relevância do mercado chinês para a economia brasileira, Alvo afirmou que a distância continua sendo um obstáculo significativo.
Segundo ele, atualmente não existe aeronave capaz de realizar voos sem escalas entre a América do Sul e a China, e operações com múltiplas escalas não fazem parte da estratégia da companhia.
Embraer terá papel duplo na malha da LATAM
A entrevista deixa claro que os novos Embraer terão um papel mais abrangente do que o inicialmente imaginado quando a encomenda foi anunciada.
Além de permitir a entrada em mercados regionais ainda não atendidos pela companhia, as aeronaves deverão funcionar como uma ferramenta de ajuste fino da malha aérea, ampliando frequências, melhorando conexões e oferecendo maior flexibilidade operacional em um momento em que eficiência e controle de custos se tornaram prioridades para as companhias aéreas.
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